Câncer de bexiga: Sem remédio, hospital adapta tratamento

A falta de produção nacional de medicamento com BCG (bacilo de calmette e guérin) obriga hospitais a substituírem o tratamento para câncer de bexiga por alternativas que não têm a mesma eficácia para certos estágios da doença.

A medida é necessária devido à paralisação de uma fábrica da FAP (Fundação Ataulpho de Paiva), no bairro São Cristóvão, no Rio de Janeiro, em novembro de 2021.

A interrupção da produção ocorreu de forma voluntária após inspeção da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Em junho deste ano, a fundação assinou acordo com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) com o intuito de retomar a produção. O IBMP (Instituto de Biologia Molecular do Paraná) se tornou mantenedor da FAP e assumiu o controle institucional.

A organização privada, sem fins lucrativos e de caráter filantrópico, também é a única produtora nacional da vacina BCG, utilizada contra tuberculose, e tenta retomar as atividades com apoio da Fiocruz.

O medicamento é indicado para casos não músculo invasivos, quando o tumor fica restrito à mucosa da bexiga e pode ser retirado, porém com alto risco de recidiva. A aplicação pós-operatória evita a recorrência, progressão da doença e remoção parcial ou total do órgão.

O fármaco usado como substituto é o quimioterápico gencitabina, prescrito nos casos com risco baixo ou intermediário, mas adotado também nos quadros de alto risco nas instituições do projeto Cabem Mais Vidas.

Molécula se mostra eficaz contra vírus da Covid

Os efeitos promissores de uma molécula denominada calpeptina S no combate à infecção pelo Sars-CoV-2 foram descritos por pesquisadores do ICB-USP (Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo) e colaboradores em artigo publicado este mês na revista Communications Biology.

Em testes com hamsters, o tratamento reduziu a produção de partículas virais na traqueia do animal após o quinto dia de infecção. Em células Vero (linha originária de rim de macaco e muito usada como modelo experimental), baixas concentrações do composto (na faixa de nanomolar) foram capazes de eliminar a carga viral. Já em célula humana houve redução de até 80% nas alterações causadas pela invasão viral.

A calpeptina S é uma variação da calpeptina – molécula inibidora da calpaína, uma proteína que utiliza o cálcio do corpo humano para acelerar a quebra de moléculas de água, promovendo reações químicas. A calpeptina já vinha sendo estudada para tratamento de diversos cânceres e doenças crônicas.

Laboratórios têm alta em positividade de teste de Covid

Os grupos Hermes Pardini e Fleury, redes de laboratórios privados com atuação nacional, registraram um aumento na quantidade de testes positivos de Covid-19 em outubro.

No Fleury, a taxa de infectados já havia saltado de 10,93% em agosto para 19,64% em setembro. Em outubro, na semana entre os dias 8 e 14, o índice continuou a subir, atingindo o patamar de 33,6%.

Na semana seguinte, do dia 15 ao 21, houve uma pequena diminuição, e a taxa de testes positivos caiu para 25,5%. Segundo a empresa, não houve aumento no volume de teste no período analisado.

Melhora da economia contribui para rating de empresas

A melhoria do cenário e das perspectivas para a economia brasileira estão contribuindo para a elevação das notas de crédito de empresas do país. Isso porque, entre os fatores que costumam ser usados na classificação por agências especializadas, além de critérios relacionados à estratégica e gestão, estão a taxa básica de juros, a estabilidade política e o PIB per capita.

Em junho, a S&P Global Ratings, por exemplo, mudou a perspectiva da nota de crédito do Brasil, de estável para positiva, pela primeira vez desde 2019. Hoje, o grau de investimento do país, na avaliação da agência, é BB- (especulativo). Em julho, outra das principais agências mundiais, a Fitch, foi além e elevou a nota de crédito do Brasil de BB- para BB, citando avanços macroeconômicos e fiscais acima das expectativas do mercado. Foi o primeiro ajuste da Fitch na nota do país, em cinco anos.

Agora, o movimento está tendo reflexo direto também sobre as empresas brasileiras. Desde a classificação da dívida soberana brasileira, a Fitch deu início a um processo de “recalibragem” de notas de crédito no país e ajustou o rating de ao menos doze instituições financeiras brasileiras, entre elas Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco e Banco Bradesco. Outras empresas que tiveram o ranking elevado foram Petrobras, Sabesp, Rumo, MRS Logística, Comgás e Ache.

Roche comprará a farmacêutica Telavant por US$ 7,1 bilhões

A terapia de anticorpos desenvolvida pela Telavant, de propriedade da Roivant Sciences Ltd. e da Pfizer Inc., tem como alvo a inflamação e a fibrose, dando-lhe potencial para ser aplicada em várias outras doenças, disse Roche. O medicamento, que pode ser administrado em casa por injeção, mostrou que pode ser usado com segurança pelos pacientes em ensaios clínicos até o momento.

A Bloomberg News informou em julho que o tratamento estava atraindo o interesse de grandes empresas farmacêuticas e poderia render mais de US$ 7 bilhões em uma venda. O negócio é a maior aquisição da Roche desde a compra da InterMune Inc. em 2014.

A Roche está sob pressão para melhorar a sua oferta de medicamentos, à medida que a receita inesperada dos produtos utilizados na pandemia de covid-19 chega ao fim. A farmacêutica disse que iniciará um teste global de terceira fase para o RVT-3101 o mais rápido possível.

A Roche continua em busca dos “melhores negócios do portfólio”, tanto ativos em estágio final quanto em estágio inicial, disse Teresa Graham, chefe da unidade farmacêutica da Roche, em entrevista. “Do ponto de vista de querer ir lá e encontrar a melhor ciência possível, acho que este é absolutamente o tipo de negócio que você pode esperar que façamos mais.”

A doença inflamatória intestinal é um grupo de distúrbios gastrointestinais crônicos que afeta quase 8 milhões de pessoas em todo o mundo e a maioria delas, cerca de 80%, não consegue encontrar tratamentos duradouros. A Roivant vê um mercado de US$ 15 bilhões para doenças inflamatórias intestinais somente nos EUA, de acordo com uma apresentação a investidores em janeiro.

STJ permite ampla dedução de vale-refeição do IRPJ

Empresas que fornecem vale-alimentação e refeição aos funcionários conseguiram um importante precedente no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em recente decisão, a 2ª Turma garantiu a uma companhia de contact center do Ceará o direito de deduzir, sem restrições, essas despesas no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).

É a primeira decisão de turma do STJ sobre o assunto, segundo advogados. Até então, dizem, só havia duas decisões individuais (monocráticas) de ministros – também favoráveis à tese dos contribuintes.

“É um precedente de extrema relevância, um indicativo da linha de entendimento que o STJ poderá vir a adotar a partir de suas duas turmas”, afirma a advogada Maria Andréia dos Santos, sócia do Machado Associados.

Paciente de câncer do SUS vive menos que o da rede privada

É o que aponta estudo apresentado na conferência anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, maior da área no mundo.

O trabalho analisou a sobrevida de 132 mil pacientes que receberam o diagnóstico dos 17 tipos mais comuns de tumor em 19 hospitais do Rio Grande do Sul. Para 13 variedades, o índice do sistema público foi menor.

A maior disparidade registrada foi na doença na tireoide, com uma taxa 226% menor entre aqueles que se trataram no SUS. A base de comparação é uma sobrevida global de cinco anos, padrão comum na medicina para quantificar o tempo de vida de pacientes mortos por qualquer causa.

Nos cânceres de bexiga, ovário, útero e leucemia não houve diferença estatística entre os dois grupos. Foram incluídos os indivíduos com diagnóstico confirmado entre 2005 e 2017.

Alguns fatores são apontados por Fernando Maluf, oncologista do Hospital Albert Einstein e coautor da pesquisa, como causas da disparidade: déficit no programa de rastreamento da doença e a longa janela entre a suspeita, o diagnóstico e o início do tratamento, o que permite que o câncer se alastre pelo corpo.

“O Brasil não tem programa para câncer de pulmão, intestino e próstata. Os [tumores] que têm [rastreamento] têm grau de adesão baixo, ou porque faltam aparelhos ou porque as pessoas não têm informação sobre eles”, afirma Maluf.