Citi muda recomendação de Raia Drogasil e mercado reage

O Citi cortou a recomendação para as ações da companhia de neutra para venda e o preço-alvo de R$ 27 para R$ 24, valor 8,6% menor que o fechamento de ontem.

Os analistas Leandro Bastos e Renan Prata escrevem que as perspectivas de longo prazo para a RaiaDrogasil se mantêm positivas, apoiadas na evolução estrutural do setor de varejo farmacêutico do Brasil.

No entanto, o ano de 2024 deve ser mais difícil para a companhia, com a menor inflação nos últimos 12 meses gerando um reajuste menor nos medicamentos, o que criará pressão nas suas receitas.

Além disso, custos elevados e um cenário fiscal pior após a aprovação da MP 1.185 devem causar deterioração no lucro da empresa. O banco reduziu estimativas da última linha do balanço da RaiaDrogasil em 19,5% em 2024 e 21,4% em 2025.

Indústria farmacêutica é a mais confiante em 2024

A indústria farmacêutica é o setor mais confiante da indústria nacional, é o que aponta a mais recente edição do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A pesquisa envolveu empresários do ramo industrial e estabelece um índice que varia de 0 a 100. Neste índice, aqueles que superam o 50 mostram sua confiança no mercado para o ano.

Os laboratórios farmoquímicos e farmacêuticos são os mais confiantes, com 61,3 pontos. Na sequência, vem outros dois setores ligados ao canal farma, o de perfumaria, limpeza e higiene pessoal (56,5) e o de bebidas (55,9).

Demanda por testes rápidos da dengue cresce 650%

Entre novembro de 2023 e janeiro de 2024, a procura por testes rápidos da dengue no varejo farmacêutico cresceu 650%, é o que afirma a RaiaDrogasil, atendendo a um pedido de dados feitos pela CBN.

Com a onda de casos no país, outro produto que tem sofrido com a alta demanda é o imunizante para a doença. No mesmo período, as aplicações da vacina avançaram 480%.

De acordo com o Ministério da Saúde, a doença já matou ao menos 12 pessoas no Brasil nesses 30 primeiros dias de 2024. Além desses falecimentos, outros 85 são suspeitos de ter sido causados pela dengue.

Só no começo deste ano, mais de 120 mil casos da doença foram diagnosticados, contra menos da metade no mesmo período de 2023, 44 mil.

PL propõe prescrição de medicamentos por enfermeiros

O Projeto de Lei 3949/23 regulamenta a prescrição de medicamentos e pedidos de exames em consultórios de enfermagem. O texto, que altera a Lei da Enfermagem, também estabelece punições para farmácias, incluindo as do Programa Farmácia Popular, que se negarem a aceitar receitas emitidas por enfermeiros. As informações são da Agência Câmara.

De acordo com a proposta a prescrição de medicamentos ou a solicitação de exames complementares por enfermeiros deverá estar acompanhada dos seguintes dados do profissional: carimbo, número da inscrição, nome do profissional, assinatura, data e número de registro do consultório no Conselho Regional de Enfermagem.

Medicamento para obesidade eleva a avaliação da Novo Nordisk

A Novo Nordisk reportou nesta quarta-feira, dia 31, lucros melhores do que o esperado em 2023, com o amento da demanda por medicamento para obesidade e diabetes. A fabricante do medicamento para perda de peso Wegovy e do medicamento para diabetes Ozempic relatou um aumento nas vendas de 31% em coroas dinamarquesas e 36% a taxas de câmbio constantes, para 232,3 bilhões de coroas (US$ 33,71 bilhões). A avaliação da Novo Nordisk subiu para US$ 506 bilhões. As informações são da CNBC.

A gigante farmacêutica dinamarquesa disse que espera um crescimento das vendas este ano entre 18% e 26%, à medida que aumenta a procura pelo Wegovy e Ozempic. A companhia continua a ser a maior empresa da Europa em capitalização de mercado, à frente da LVMH, que foi avaliado em US$ 422 bilhões.

Hypera propõe aumento de capital em R$ 4,56 bi e aprova contratação de financiamento com BNDES

O conselho de administração da Hypera recomendou a aprovação da proposta de aumento de capital de R$ 4,56 bilhões, mediante a capitalização de parcela do saldo da reserva de incentivos fiscais, sem a emissão de novas ações.

A proposta deve ser encaminhada para votação na assembleia geral extraordinária agendada para 21 de fevereiro. Caso a proposta seja aceita pelos acionistas, o capital social da Hypera deve passar para R$ 9,04 bilhões.

A reserva de incentivos fiscais é de R$ 4,95 bilhões, segundo o balanço do terceiro trimestre, divulgado em outubro.

Em outro comunicado, a companhia informou que foi aprovada a contratação de um financiamento de R$ 500 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Hypera encontra uma forma de manter nível de JCP; papel sobe com fim de overhang

O movimento é uma resposta da empresa a uma MP editada pelo Governo no final do ano passado — a 1.185 — que reduziria a capacidade de pagamento de Juros Sobre o Capital Próprio (JCP).

Antes da MP, havia duas limitações para o pagamento do JCP: a empresa podia distribuir até 40% do patrimônio líquido e até 50% do lucro líquido.

Com a MP, a primeira limitação aumentou, passando a ser 40% do patrimônio líquido menos as reservas de incentivos fiscais.

Como a Hypera tem muitas reservas de incentivos fiscais que ainda não foram usados, essa mudança na regra reduziria em 40% o JCP que a empresa poderia pagar este ano, depois de pagar R$ 780 milhões no ano passado.

A solução encontrada por tributaristas que assessoram a companhia foi capitalizar essas reservas, aumentando o capital social da empresa.

A Goldman Sachs disse que o anúncio de hoje remove um overhang que pesava sobre a ação. “Mesmo com a aprovação da MP, entendemos que agora a companhia vai continuar com seu ritmo recente de pagamento de JCP.” Não fosse isso, o banco estima que o consenso para o lucro deste ano seria reduzido em 7%.

A Hypera deixou de capitalizar apenas cerca de R$ 500 milhões em reservas de incentivos fiscais. Com isso, nas contas de um investidor, o JCP deste ano será apenas R$ 40 milhões menor — uma redução de cerca de 5% em relação ao ano passado.

Nos últimos anos, a Hypera tem trabalhado com JCP fixos, da ordem de R$ 780 mi, mesmo com o crescimento do lucro, o que vem reduzindo gradativamente o payout da companhia, que gira em torno de 40%.

Eurofarma investe em inovação para ir além dos medicamentos genéricos

Com receita líquida anual de R$ 8 bilhões, a Eurofarma é uma empresa conhecida por vender medicamentos genéricos a preços mais baixos. Mas o objetivo da farmacêutica é ir além e ter de 20% a 30% do seu faturamento gerado por produtos inovadores.

Em entrevista ao VivaBem, Martha Penna, vice-presidente de Estratégia e Inovação da Eurofarma, contou que a empresa está construindo essa cultura de inovação com disciplina, paciência e criatividade, de forma a chegar a resultados que respondam a necessidades ainda não atendidas de médicos e pacientes.