No Brasil, os opioides já circulam no mercado paralelo ilegal — fora das mãos de pacientes com prescrições adequadas e do ambiente hospitalar.
Em 2019, uma pesquisa feita pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) mostrou que 4,4 milhões de brasileiros já utilizaram opioides sem prescrição médica.
Isso acende um alerta para que as autoridades ajam preventivamente, impedindo a popularização do uso indevido desses medicamentos e evitando um cenário semelhante ao vivenciado nos Estados Unidos.
De acordo com os especialistas entrevistados pela BBC News Brasil, atualmente, nosso país apresenta duas realidades distintas no que diz respeito a medicamentos opioides.Oregon, nos EUA, sofre com crise de opioides
Por um lado, o Brasil é conhecido por ter “um manejo ruim da dor”, prescrevendo poucos medicamentos desse tipo para pacientes que realmente precisam, incluindo pessoas com dor crônica, como alguns pacientes oncológicos, ou que estão se recuperando de traumas físicos como cirurgias extensas.
“Há uma década o Brasil era internacionalmente criticado pelo baixo uso de opioides para o controle da dor. Nos anos recentes os números melhoraram bastante, felizmente, já que são remédios essenciais quando há indicação correta de uso”, descreve Claudio Fernandes Corrêa, mestre em neurocirurgia pela Unifesp e especialista em dor pela AMB (Associação Médica Brasileira).