Maior farmacêutica brasileira, a EMS acertou a compra do Dermacyd, marca global de sabonetes íntimos da francesa Sanofi, por cerca de € 66 milhões (R$ 366 milhões ao câmbio atual). Com a aquisição, a empresa do grupo NC, mais conhecida pelo pioneirismo e liderança em genéricos, avança em sua estratégia de ganhar musculatura em medicamentos isentos de prescrição (OTC, na sigla em inglês) e de internacionalização dos negócios.
A transação, que ainda depende do aval de autoridades antitruste em diferentes países, compreende propriedade intelectual, comercialização e fabricação de um portfólio de 17 produtos da linha na América Latina. Líder no Brasil com 28% de participação em valor de vendas, o Dermacyd também tem presença relevante no México, no Peru e na Argentina, onde é vendido sob a marca Lactacyd.
“O grupo se consolidou em genéricos, em prescrição, depois no segmento hospitalar e foi comprando marcas fortes. Agora, quer trabalhar essas marcas do ponto de vista do consumidor”, disse ao Valor Cinthia Ribeiro, que chegou à EMS há três meses com a missão de reposicionar a área de OTC e traçar estratégias de crescimento para as marcas da farmacêutica.
Com quase 20 anos de experiência no setor, entre laboratórios brasileiros e multinacionais, como a própria Sanofi, Aché, Pfizer e Genomma Lab, a executiva assumiu a diretoria Comercial e de Marketing da unidade de negócios de Marcas, que também compreende a área de OTC.
“Hoje, essa é a menor unidade de negócios da companhia, com cerca de 10% a 12% do faturamento. Mas pode estar entre as maiores”, afirmou a executiva. Para 2023, a meta para a área de OTC é alcançar vendas (pelo critério PPP, que considera os descontos concedidos) de R$ 300 milhões, com expansão de 25% frente a 2022. Crescimento orgânico e potenciais novas aquisições vão contribuir para a evolução nos próximos anos, indicou a executiva. “Também vamos avaliar fusões e aquisições. Temos um radar ativo, mas vamos crescer das duas formas”, disse.
O negócio de prescrição já se tornou o mais relevante da EMS, com participação de 37%. Em seguida vieram os genéricos, com 35%. Marcas, OTC e institucional (“non-retail”) responderam por 28%. No ano passado, o conglomerado faturou R$ 20,9 bilhões.