IA generativa levanta dúvidas quanto à proteção de dados

O consenso ocorre em meio a uma corrida por ferramentas de IA nas empresas de saúde dos EUA. Elas já são vistas em chatbots de atendimento médico, sinistros de planos de seguros e até na transcrição automática de consultas. Os resultados, contudo, vêm suscitando questões sobre a ética embutida nessas aplicações. A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu nota pedindo cautela no uso.

O poder dos chamados grandes modelos de linguagem seduz, porque profissionais de saúde atuam com uma quantidade avassaladora de dados a partir de testes, exames e prontuários. A cópia escrita da consulta via captura de áudio já está sendo fornecida pela Nuance Communications, subsidiária da Microsoft, a redes de saúde americanas. O principal entrave é o compartilhamento de dados confidenciais do paciente com as empresas de tecnologia, o que viola o princípio mais antigo da medicina: o sigilo do Juramento de Hipócrates.

“O médico perde, praticamente, 75% da consulta tomando notas do que está acontecendo com o paciente. A IA transforma em texto estruturado dentro do próprio prontuário, colocando os dados de uma cirurgia, por exemplo, no campo de cirurgias pregressas”, explica Gustavo Meirelles, médico radiologista e cofundador da startup DATALife, especializada em IA e que pretende adotar a generativa ainda neste ano. A companhia desenvolveu uma ferramenta que anonimiza dados dos clientes. Meirelles defende a regulação do uso dessas ferramentas.

O diretor de inovação da Rede D’Or, Fabio Andrade, diz ser reticente na implementação da IA generativa em seus hospitais. “Não acho que seja o Santo Graal da medicina. Pode ser uma ferramenta auxiliar, mas uma possível barreira é a Lei Geral de Proteção de Dados, que seguimos à risca. Não posso colocar informação gerada no Brasil, um dado médico, em um servidor de fora do país. Não está claro, com base no ChatGPT e outros, de quem é aquele dado”, argumenta.

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“Internet das coisas médicas” atrai os cibercriminosos

Um ataque cibernético pode ter consequências variadas: no posto de gasolina, bombas podem parar; no supermercado, os caixas; na escola, perder o controle de presença dos alunos. Mas é na área de saúde em geral, principalmente em hospitais, que as consequências podem ser as mais cruéis. Sistemas informatizados contêm agendas de consultas, controle de medicamentos, de procedimentos, escalas de plantão, e redes conectam tomógrafos, bombas de medicamentos e outros dispositivos – inclusive elevadores – dos quais dependem saúde e vida de pacientes.

O ramo hospitalar é um dos que têm o mais elevado risco em cibersegurança, diz Thiago Bordini, líder de inteligência de ameaças na Axur, empresa que opera uma plataforma de proteção contra riscos digitais. Ele observa que, nos últimos anos, viu hospitais investirem em tecnologia, mas não o suficiente na segurança dessa tecnologia. “É um ambiente extremamente complexo, com todos os dispositivos conectados em rede. Nos últimos cinco anos, o ambiente hospitalar se tornou muito mais conectado. Não me lembro da última vez que eu fiz uma radiografia e recebi o filme – é tudo digital”, afirma.

Cibercriminosos têm interesse no alto volume de transações financeiras que hospitais fazem. Um golpe comum, lembra Bordini, é praticado contra pacientes e suas famílias por criminosos que se passam por representantes de hospitais e outras organizações de saúde. A Axur localizou, em março e abril de 2023, cinco vezes mais perfis falsos de empresas de saúde em redes sociais do que a soma de todas as outras áreas pesquisadas.

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Abrafarma lança agenda legislativa para o varejo farmacêutico

Varejo farmacêutico ganha propostas em sete eixos temáticos

O varejo farmacêutico passou a ter um conjunto de propostas estruturadas em sete eixos temáticos – Farmácia Popular, Complexo Industrial da Saúde, Reforma Tributária, Assistência Farmacêutica, Serviços em farmácias, Recursos Humanos e MIPs (medicamentos isentos de prescrição).

Programa médico nas farmácias

As farmácias como estabelecimentos de saúde podem e devem contribuir para ampliar a assistência farmacêutica da população, o que endossa a ideia de implementar um programa médico nas lojas, com uso da telessaúde. “Autorizar essa prática no canal farma pode contribuir com a melhoria da saúde no Brasil, antecipando diagnósticos, ajudando na manutenção do tratamento e evitando a ruptura do tratamento”, acredita.

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PL quer alerta em rótulos de medicamentos

A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei (PL) que obriga a colocação de alerta nos rótulos dos medicamentos. O objetivo é avisar quais os produtos que podem comprometer os reflexos ou funções cognitivas das pessoas, como ansiolíticos e antieméticos (que tratam de náuseas e vômitos). Hoje, essa informação só existe nas bulas. As informações são da Agência Câmara.

A proposta aprovada exige ainda alerta específico nos rótulos dos fármacos que afetam a capacidade para conduzir veículos ou operar máquinas e equipamentos. As medidas são inseridas na lei que trata da vigilância sanitária sobre produtos farmacêuticos (Lei 6.360/76).

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Novo CFO na Hertz

Tem reforço no alto escalão da Hertz. Laercio Boni é o novo CFO da farmacêutica especialista em consumer health.

Foram 20 anos dedicados ao Grupo NC, sendo que desde 2020 ele ocupava a posição de gerente de controladoria e finanças. Também acumula longa experiência na área financeira da Faber Castell.

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