O efeito Ozempic na sociedade e na bolsa: exageros em ambos
Desde que o Ozempic virou febre, analistas dos principais bancos de investimento, butiques e economistas têm se adiantado para tentar prever o impacto da droga e similares na economia e no balanço das empresas. Ao mesmo tempo, as farmacêuticas correm para atender à espantosa demanda e pensar novos formatos para o medicamento.
A americana Eli Lilly anunciou recentemente um investimento de US$ 2,5 bilhões para uma nova fábrica, com o intuito de aumentar a produção de Mounjaro e Trulicity, concorrentes do Ozempic. Ambas já estudam o desenvolvimento de uma fórmula para que o medicamento venha em comprimidos.
Num relatório publicado no início do mês, a Barclays citou nominalmente PepsiCo e McDonald’s como possíveis prejudicadas com a adoção dos medicamentos. O Walmart justificou uma retração na venda de alimentos com a maior adoção do remédio Outro relatório, da Jefferies, entre os mais exagerados, calculou que uma “sociedade mais magra” poderia economizar bilhões às aéreas e favorecer outros setores.
Nos cálculos da Jefferies, se cada passageiro da United Airlines perdesse em média o equivalente a 4,5 kg, a companhia já pouparia US$ 12 bilhões gastos em combustível (o que representa mais de 22% do faturamento da empresa). Além disso, os analistas calculam que a demanda para varejistas de moda aumentaria, com a renovação do guarda-roupa dos pacientes, e, por outro lado, prejudicaria empresas de alimentos e bebidas alcoólicas, além de reduzir o tíquete de consumo de viagens — já que os gastos com o remédio devem absorver parte do orçamento familiar: nos EUA, o tratamento mensal com Ozempic custa em torno de US$ 1,5 mil.
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