Dívidas consomem cada vez mais o orçamento das mulheres
Lavinas faz algumas recomendações que poderiam ajudar a tornar menos desfavorável o atual quadro de elevado endividamento feminino e, dessa forma, diminuir o deslocamento de renda das mulheres para quitar empréstimos. A especialista ressalta a importância de continuidade na redução da taxa básica de juros (Selic) – cujo processo começou no segundo semestre do ano passado – e do programa federal Desenrola, de renegociação de dívidas.
Mas Lavinas nota que poderia ser feito esforço maior por parte do Estado para prover às mulheres, de forma gratuita, serviços que hoje na sociedade são arcados financeiramente por elas, de forma majoritária. É o caso de creches e cuidados com idosos. “São custos crescentes e que são assumidos, na maior parte, por mulheres”, diz.
A socióloga Graciela Rodriguez concorda. Ela organizou, em 2020, o estudo “O Sistema Financeiro e o Endividamento das Mulheres”, pelo Instituto Equit – Gênero, Economia e Cidadania Global, do qual faz parte. No trabalho, um dos aspectos contemplados foi o forte papel de cuidadoras que as mulheres exercem, no cotidiano das famílias. “Ela, na maioria das vezes, é a grande responsável por levar comida à mesa, por comprar medicamentos, por cuidar dos idosos”, resumiu Rodriguez.
Rodriguez também recomenda um plano nacional de cuidados, que possa ajudar a enfrentar essa questão. “É preciso uma política nacional, de encarar o conjunto da problemática do trabalho não remunerado das mulheres”, afirma. A socióloga diz que o elevado endividamento feminino não tem relação com saber ou não saber administrar dinheiro: “É uma necessidade, para fechar as contas da casa”.
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