Taxa sobre compras pode encarecer remédio importado
A cobrança de pelo menos 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais, aprovada pelo Congresso e que aguarda a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mirou a concorrência de “blusinhas”, produtos eletrônicos e brinquedos asiáticos vendidos pelo e-commerce, mas pode tornar mais caros também os medicamentos importados por pessoas físicas em tratamento no Brasil que hoje são isentos do tributo.
O fim ou não dessa isenção é alvo de divergências jurídicas. Relator do projeto, o deputado Átila Lira (PP-PI) diz que a intenção não é acabar com o benefício para medicamentos. Ele apresentou ao Valor um posicionamento técnico da consultoria da Câmara dos Deputados que sustenta a manutenção da isenção. “Jamais seria nossa intenção acabar com esse benefício”, afirma o parlamentar.
Advogados, entidades ligadas a doenças raras e o setor farmacêutico, contudo, afirmam que o projeto estabeleceu um piso mínimo para esse imposto, o que impedirá o Ministério da Fazenda de manter a medida. A decisão deve ser da Receita Federal – que, procurada pelo Valor, não se manifestou até a publicação deste texto.
Desde 1999, uma portaria do Ministério da Fazenda garante a isenção de Imposto de Importação para medicamentos de até US$ 10 mil comprados por pessoas físicas. Os produtos não podem ser proibidos no Brasil e devem atender as regras da Receita Federal e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importação.