Brasil está fora de sincronia e pode entregar mais retorno, diz Schroders
om 750 bilhões de libras esterlinas (mais de US$ 940 bilhões) globalmente, a gestora britânica Schroders está com indicação “fortemente sobrealocada” (“strong overweight”) em Brasil. Segundo Peter Harrison, principal executivo (CEO) da asset, “o país tem algo que está um pouco fora de sincronia” em relação a outras economias e tem altos retornos para entregar potencialmente.
“O nível das taxas de juro reais é incomumente elevado em comparação a qualquer outra economia. Se olharmos para o déficit orçamentário dos EUA, que está para atingir um nível subjacente de 9% [do PIB], é superior ao do Brasil, superior ao do resto do mundo. Por isso, tenho dificuldade em compreender por que razão as taxas reais permanecem tão elevadas aqui a médio prazo”, diz Harrison.
Em contraste, o executivo diz ver os EUA tomando dois conjuntos de medicamentos: uma enorme droga fiscal, com grande déficit orçamentário, o que é estimulante e levou os preços do mercado acionário às alturas, ao mesmo tempo em que ensaia acabar com a flexibilização quantitativa e o ambiente monetário expansionista.
“Eu olho para isso e digo que não são ganhos naturais, são ganhos induzidos por drogas. Então você tem que pensar sobre qual é o poder do lucro de longo prazo do mercado versus as drogas. E não são os ‘valuations’ [avaliação das companhias] negociados hoje. Portanto, quer se trate de uma bolha ou apenas de uma questão de saber se pode ser superada lentamente, é um valor elevado para pagar pelo crescimento induzido pelas drogas.”