O que é etarismo e por que o Brasil não está preparado para o envelhecimento da população

Etarismo – também chamado de idadismo ou ageísmo – é um conceito relativamente novo, principalmente no Brasil, onde o envelhecimento se deu com rapidez. Três décadas atrás, era considerado um país de jovens. Hoje, a população acima de 60 anos soma 35 milhões ou 15% do total (27% acima de 50), e cada vez mais a taxa de natalidade é baixa. Dois estados, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, têm mais pessoas idosas do que crianças e adolescentes até 14 anos.

É necessária uma reforma educacional. “O que se precisa não é necessariamente multiplicar o número de geriatras, mas garantir que todos os profissionais de saúde, de enfermeiros a psicólogos, estejam preparados para atender pessoas velhas”, afirma Kalache. Áreas como a de cuidados paliativos, diz Cintra, ainda são especializações raras e recentes. A atuação do geriatra, contudo, é importante para a “orquestração” dos cuidados. “Os idosos não costumam se dar bem com a medicina segmentada e por isso precisam de um profissional que administre diferentes diagnósticos e medicamentos.”

Casos de síndrome respiratória aguda grave aumentam

O boletim InfoGripe, da Fiocruz, divulgado nesta quinta (21), mostra aumento de casos de Srag (síndrome respiratória aguda grave) em todo o país. A circulação dos vírus da Covid, do VSR (vírus sincicial respiratório), do rinovírus e da Influenza, vírus da gripe, impacta mais crianças, pré-adolescentes e idosos.

Segundo o boletim, o vírus da gripe tem provocado Srag em crianças, pré-adolescentes e idosos. Já o VSR e o rinovírus atingem mais crianças de até dois anos. O VSR supera a incidência da síndrome respiratória por Covid nessa faixa etária. Apesar de incidente, a Covid é mais letal para a população com mais de 65 anos do que para as crianças.

Em 2024, foram notificados 19.683 casos de Srag, sendo 8.178 (41,5%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratórios, 8.002 (40,7%) negativos, e ao menos 2.390 (12,1%) aguardando resultado laboratorial.

Dentre os casos positivos, 60,7% são da Covid; 15,6% são VSR; 10,7% são Influenza A e 0,3% são Influenza B. Com relação ao número de óbitos, 86,7% foi por Covid; 11,4% por Influenza A e 1,9% por VSR.