O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, voltou a afirmar que, se a economia dos Estados Unidos evoluir como esperado, a “maioria” dos membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) espera que os cortes de juros comecem em algum momento de 2024. No entanto, há um grau alto de incerteza quanto às expectativas, tanto para o lado da inflação quanto para o lado da atividade econômica.
“Reduzir muito os juros ou cedo demais poderia resultar em uma reversão do progresso que observamos na inflação e, em última análise, exigir uma política [monetária] ainda mais rígida para que a inflação volte a 2%. Mas flexibilizar a política muito tarde ou muito pouco poderia enfraquecer indevidamente a atividade econômica e o emprego. À medida que o progresso na inflação continua e o aperto no mercado de trabalho diminui, esses riscos continuam a se equilibrar melhor”, afirmou Powell em discurso divulgado nesta quarta-feira (03), durante evento da Escola de Negócios da Universidade de Stanford.
Para Powell, o nível atual dos juros básicos nos Estados Unidos é adequado para que o Fed reaja aos riscos de ambos os lados. Segundo ele, os dados mais fortes de inflação e emprego no começo deste ano ainda não alteraram o cenário geral da economia, que é de “crescimento sólido, um mercado de trabalho forte, mas em reequilíbrio, e uma inflação que se aproxima de 2% em um caminho às vezes acidentado”.
“Na inflação, é muito cedo para dizer se as leituras recentes representam mais do que apenas um aumento temporário”, disse o presidente do Fed. Ele reiterou que o banco central ainda não tem a confiança necessária para cortar os juros, e a força da economia americana dá espaço para que as decisões sejam tomadas de acordo com a evolução dos dados.
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— Foto: Divulgação/Fed
Segundo Powell, a maioria das medidas de opinião pública sugere que a população dos EUA confia que o banco central atingirá a inflação de 2%, já que as expectativas de inflação seguem ancoradas e consistentes com a meta.
De acordo com ele, a política monetária restritiva está sendo transmitida e colocando pressão sobre a demanda. Ao mesmo tempo, a melhora da oferta global e da produtividade da economia americana ajudaram o Fed a reduzir a inflação rapidamente ao longo do ano passado. “A capacidade da economia aumentou talvez mais do que a produção.”
Segundo ele, as projeções do Fed indicam crescimento de 1% a 1,5% da capacidade produtiva americana.
Powell ainda ressaltou que é importante que o Fed se mantenha focado nas suas metas de inflação e pleno emprego, e evitar comentar questões econômicas fora desse contexto. Um desses tópicos, segundo ele, é o de mudanças climáticas.
“As políticas para lidar com as mudanças climáticas são de responsabilidade das autoridades eleitas e dos órgãos encarregados por elas dessa responsabilidade. O Fed não recebeu tal incumbência”, afirmou.
Por outro lado, o papel do Fed como supervisor do sistema bancário obriga a entidade a contar as mudanças climáticas como um risco a ser incorporado pelas instituições financeiras no futuro.
“Permaneceremos atentos ao risco de que haja pressão para expandir esse papel ao longo do tempo. Não somos, nem pretendemos ser, formuladores de políticas climáticas”, concluiu Powell.
Fonte: Valor Econômico