Inúmeros fatores condicionam atualmente a vulnerabilidade da economia americana, entre os quais destaco os mencionados por Shannon K. O’Neil, do Nelson and David Rockefeller for Latin American Studies, em artigo publicado pelo Foreign Affairs de abril 2024.
O’ Neil informa que 80% do suprimento de minerais críticos à economia americana provém do exterior, principalmente Ásia, havendo uma forte dependência à China em materiais como níquel, manganês e grafite. Cerca de 60% dos microchips e 90% dos tipos mais avançados de chips semicondutores usados nos EUA são fabricados em Taiwan. A China tornou-se o maior fornecedor de vários antibióticos, anticoagulantes e medicamentos para quimioterapia e diabetes, assim como a principal origem de ingredientes para a indústria farmacêutica da Índia, relevante fonte de medicamentos importados pelos Estados Unidos.
Poderiam ser citados inúmeros outros exemplos de concentração externa de supridores de bens imprescindíveis à segurança e tranquilidade econômica americana. Evidentemente, a diminuição dessa delicada dependência requer um esforço para diversificar em termos geográficos o elenco das importações.
Os EUA deveriam redescobrir a AL como alternativa à dependência de importações asiáticas. Aliás, essa é apenas uma das várias óticas mediante as quais os EUA deveriam reavaliar sua visão sobre os vizinhos do sul sem instintos de superioridade
E é sob essa ótica que os EUA deveriam redescobrir a AL. Aliás, essa é apenas uma das várias óticas mediante as quais os EUA deveriam reavaliar sua visão sobre os vizinhos do sul, sem instintos de superioridade e com o espírito de estabelecer laços de relacionamento frutíferos para todos os integrantes do continente americano. Tal redescoberta seria a melhor oportunidade para a AL conquistar um intercâmbio com o “primo rico” que seja vantajoso ao desenvolvimento econômico e social de seus países.
No que diz respeito à diversificação das fontes de suprimento dos EUA, a AL oferece alternativas concretas. No segmento de minerais, a região possui amplas reservas de vários deles, inclusive dos necessários à fabricação de baterias de elevada capacidade. Segundo O’Neil, estima-se que 60% das reservas mundiais de lítio (principalmente no Chile, Bolívia e Argentina), 23% das de grafite e 15% das de manganês e níquel encontram-se em solo latino-americano, de onde já se extraem expressivo montante de cobre. América Central e México também têm o que oferecer em vários setores de atividade.
Na área de insumos e produtos farmacêuticos a região encontra-se bem-posicionada, abrigando competentes instituições de pesquisa, tais como Instituto Butantan e Fundação Oswaldo Cruz, que pertencem ao grupo dos 15 maiores produtores mundiais de vacinas.