Enquanto o Brasil sofre para oferecer radioterapia tradicional a todos os pacientes com câncer que precisam, alguns poucos centros médicos no mundo já tratam seus doentes com um novo tipo de tratamento radioterápico, mais potente contra as células tumorais e menos tóxico para os tecidos saudáveis.
O mais recente país a oferecer a chamada radioterapia com íons de carbono (também conhecida como terapia de íons pesados ou hadronterapia), é Taiwan, cujo novo centro médico, inaugurado no dia 15, foi visitado pelo Estadão. Além de Taiwan, apenas cinco países contam com a tecnologia no mundo: Alemanha, Áustria, Itália, China e Japão.
O centro de terapia com íons pesados de Taiwan está no Taipei Veterans General Hospital, unidade pública na capital do país. O tratamento utiliza íons de carbono, partículas mais pesadas, para produzir o feixe de radiação que é aplicado no paciente. Na radioterapia tradicional, são utilizados geralmente fótons, partículas mais leves, como as de raios X.
Com o uso de íon de carbono, a radiação que chega até as células tumorais é até três vezes mais potente do que a da radioterapia tradicional, o que aumenta a chance de destruir o DNA do tumor, impedindo, assim, que ele continue se multiplicando.