Tributação de lucros e dividendos tem resistência e abre portões da ‘coitadolândia’, diz Pedro Nery
Depois de anos debruçado sobre planilhas de dados como consultor legislativo do Senado Federal, o economista Pedro Fernando Nery, hoje diretor de Assuntos Econômicos e Sociais da Vice-Presidência da República, decidiu visitar oito localidades que mais escancaram a desigualdade social do País.
O resultado está em Extremos – um mapa para entender a desigualdade no Brasil, livro que lança este mês pela Zahar, selo do grupo Companhia das Letras, na missão de revirar causas e propor saídas para superar o que, para muitos, é a maior chaga da economia nacional.
Nery defende que haja aumento de impostos sobre os mais ricos – incluindo alíquotas sobre grandes fortunas –, maior tributação sobre propriedades rurais e estímulo ao adensamento populacional urbano, além de foco na construção de creches e emprego massivo para mulheres.
“(Hoje), Quem ganha mais, paga menos. Então, só fazer os mais ricos pagarem os 27,5% como os demais já seria um grande avanço. Mas mesmo aí há resistência; uma proposta como a de tributação de lucros e dividendos já abre os portões da “coitadolândia”, para usar uma expressão das redes”, diz Nery em entrevista ao Estadão.
O economista também entende que o País precisará passar por uma nova reforma da Previdência – desta vez com foco em militares, forças de segurança pública e servidores estaduais. “Ainda há lugares com delegadas se aposentando com 40 e poucos anos, ganhando o teto remuneratório, de forma vitalícia. É uma situação meio insuportável, se estamos ainda lutando para vencer a fome e temos dificuldades fiscais.”