Para vencer crise, planos de saúde precisam rever seu modelo

Em 2022, as operadoras de plano de saúde registraram os piores índices de sua série histórica – um prejuízo operacional de R$ 11,5 bilhões e taxa de sinistralidade (relação entre despesas com serviços médicos e receita das mensalidades) de 89,2%. Números que já não são alarmantes, mas um diagnóstico de que o modelo de negócios é insustentável. Aumentar preços e investir as reservas em aplicações financeiras são só tratamentos paliativos. A cura exige estratégias para enfrentar as consequências do envelhecimento da população, de tecnologias e medicamentos cada vez mais caros e altas despesas com processos judiciais.

Pandemia evidenciou a falta de investimento em saúde

Para reduzir riscos, um dos caminhos para o Brasil é estimular a expansão do setor, equivalente a 10% do PIB, sendo um grande empregador e respondendo por um terço das pesquisas científicas do país. No fim de setembro, o governo lançou a nova Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis), levando em conta esse cenário. O plano é investir R$ 42 bilhões no setor até 2026, sendo R$ 23 bilhões da iniciativa privada, R$ 9 bilhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), R$ 6 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 4 bilhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O objetivo é fabricar localmente cerca de 70% dos insumos e produtos do setor.

Entre os objetivos do programa estão ampliar a produção nacional de insumos prioritários para o SUS, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros de itens básicos, medicamentos, vacinas e outros produtos, além de reforçar a fabricação de produtos que auxiliem a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de doenças como tuberculose, doença de Chagas, hepatites virais e HIV.

Para gerar resultados positivos, a iniciativa requer acompanhamento detalhado dos gastos. É fundamental verificar se o volume expressivo de investimentos previstos com recursos públicos será bem direcionado e se as despesas são realmente necessárias. A maior fatia para o projeto será de responsabilidade do setor privado, mas os recursos do setor público previstos para desenvolver o complexo da saúde estão longe de serem inexpressivos. Quanto às importações, um risco a ser evitado é a concentração excessiva em poucos fornecedores, mas as compras externas não devem ser estigmatizadas como negativas.

Casos de ansiedade têm alta acelerada entre os jovens após pandemia

Problemas de saúde mental, entre os quais ansiedade e depressão, ganharam foco no Brasil nos últimos seis anos, indica pesquisa da Ipsos (“Global Health Service Monitor 2023”) realizada em meados deste ano. O tema é apontado como o principal problema no que diz respeito ao bem-estar para metade dos (52%) entrevistados. Ultrapassou câncer (38%) e lidera o ranking. Em 2018, era preocupação mencionada por apenas 18%.

Governança em cena

Empresas da pesquisa 360º reforçam seus controles internos em período de pós-pandemia, com instabilidade política e econômica no Brasil e no mundo, e testam novas aplicações e produtos a partir da inteligência artificial