Por Larissa Garcia, Valor — Brasília
10/10/2023 14h57 Atualizado há 13 horas
O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou nesta terça-feira que o cenário internacional está ainda mais desafiador para países emergentes e, ao repetir que o processo de queda da inflação tem dois estágios — o segundo e atual, mais lento — questionou quais serão os fatores que vão contribuir para essa desaceleração a partir de agora. Ele enfatizou que os comentários eram focados na América Latina e que o Brasil tem se saído melhor que seus pares.
“Daqui para frente, de onde vai vir a desinflação [em países emergentes]? O petróleo vai ficar mais caro, a transição verde custa dinheiro, a produtividade não está aumentando, acho que está diminuindo”, disse, em evento do Emerging Markets Forum, em Marrakesh, no Marrocos. “No fim, olhamos quanto vai custar essa desinflação. Quando olhamos em volta, não vemos muitos sinais positivos”, ponderou.
Campos citou dificuldades geopolíticas e a transição energética, que se provou “mais complexa” e “mais cara”. Segundo ele, com todos os desafios climáticos, o preço de alimentos deve ficar mais alto. “Isso significa que teremos taxas de juros mais altas em economias avançadas e isso significa um dreno de liquidez para emergentes. O prêmio fiscal pode ser afetado em algum momento e pode aumentar”, acrescentou.
Depois, o executivo reforçou que não estava focando no Brasil quando citou esses riscos para economias emergentes e ressaltou que as dívidas dos países ficaram muito altas após a pandemia de covid-19, especialmente em economias avançadas.
“Meu ponto era apenas que deveríamos começar [a endereçar o problema fiscal] globalmente e especialmente em países avançados, porque acho que o Brasil neste front está melhor, tivemos revisões positivas para o crescimento e o arcabouço fiscal que foi desenhado recentemente, mas o custo do funding [captação] é importante”, ponderou.
“Estamos vendo que o mais provável é que os juros fiquem altos por mais tempo, o que significa um custo alto de dívida. Isso pode ser disfuncional para mercados emergentes, esse era meu ponto”, complementou.
Campos voltou a dizer que a política monetária é muito coordenada entre países, mas o fiscal não é. “Podemos ter uma ruptura nos mercados antes de chegarmos ao processo de desinflação.”
Fonte: Valor Econômico