Na Eurofarma, quase um terço dos novos produtos são resultados de inovação aberta
Praticamente um terço dos desenvolvimentos da farmacêutica Eurofarma advém de inovação aberta. A parceria com outras empresas para alavancar as receitas está no centro da estratégia da companhia — que pretende desembolsar US$ 100 milhões para isso — e já foi responsável por iniciativas que vão desde a criação de um aplicativo para ajudar pacientes com Parkinson até um banco de dados com informações de fenótipos da população brasileira para prevenção de doenças (com uma empresa ainda mantida em sigilo).
“Inovação é oxigênio. Na Eurofarma, ela está diretamente ligada à ideia de perenidade, pois somos uma empresa que pensa a longo prazo. A verdade é que não dá para ser diferente em um setor com ciclos longos”, diz Martha Penna, vice-presidente de Inovação da Eurofarma, que comanda uma equipe de 700 pessoas focadas em achar novas oportunidades dentro e fora da farmacêutica.
Segundo a executiva, a obsessão por inovar faz parte da história do negócio, que nasceu como um fabricante de medicamentos genéricos e se transformou em uma companhia que descobre moléculas e desenvolve os próprios produtos. Boa parte do portfólio é reconhecido por tratar distúrbios no sistema central. Foi essa busca por ajudar os pacientes que motivou a parceria com a agência criativa Dentsu no último ano. Juntas, as companhias desenvolveram uma inteligência artificial para auxiliar pessoas com Parkinson.
A aposta da companhia pela inovação está estampada nos números. Anualmente, a Eurofarma aporta R$ 600 milhões em pesquisa e desenvolvimento. E tem consciência que é fundamental ir além das fronteiras corporativas para ampliar os ganhos. Outros exemplos recentes de colaboração são uma parceria com a Ledcorp, que desenvolveu o banco de leite Lactare com IA para monitoramento dos processos de pasteurização, e com a Nexup Health, com quem a Eurofarma trabalhou para fazer um sistema de prescrição e prontuário para médicos no Uruguai.
As iniciativas devem se multiplicar, pois recentemente a companhia criou um fundo corporativo de venture capital para investir US$ 100 milhões em empresas inovadoras de biotecnologia, as startups conhecidas como biotechs. A ideia é achar parceiros para desenvolver soluções com ênfase em medicina de precisão, edição genética e inteligência artificial aplicada à descoberta de moléculas. Três empresas já estão trabalhando com a Eurofarma. Uma delas é a americana Abcuro, que desenvolve imunoterapias pioneiras para o tratamento de doenças autoimunes e câncer.
