Negócios em desaceleração no setor de saúde

Na liderança das negociações, operadoras de planos de saúde como Hapvida e NotreDame Intermédica se uniram. A Rede D’Or ficou com 70 hospitais, além de adquirir a SulAmérica. O Fleury comprou o Hermes Pardini e a Dasa, a Oncoclínicas, bem como Kora Saúde, Mater Dei, Qualicorp e Odontoprev ampliaram suas operações. Mas o cenário macroeconômico mudou de meados de 2022 para cá, com alta da inflação e taxa Selic em 13,75%, elevando o custo de capital para novas transações. Além disso, a sinistralidade das operadoras de saúde saiu de 77,74% em 2020 para 89,21% ao fim de 2022. O resultado é que as empresas do setor estão entre as que mais perderam valor de mercado nos últimos 24 meses encerrados em 12 de junho de 2023. Liderando a lista estão Kora Saúde, Dasa, Qualicorp e Hapvida, que caíram 86%, 81%, 81% e 72%, respectivamente, segundo cálculo da Capital IQ.

Telemedicina avança no país

Segundo Renato Camargo, vice-presidente de clientes da Pague Menos & Extrafarma, a empresa pratica teleinterconsulta em suas farmácias com plataforma da Conecta e, em breve, fará isso com outros parceiros. As duas redes somam 1.650 farmácias no país, sendo a maioria no Nordeste, região carente de instituições públicas e privadas de saúde. Camargo diz que a teleinterconsulta amplia o acesso à saúde, especialmente para a chamada classe média expandida B2, C e D, lembrando que há cidades de 20 mil habitantes em que, às vezes, há apenas um único posto de saúde.

“A farmácia do futuro é a nova velha farmácia, recuperando o protagonismo que as farmácias tinham no passado”, diz Camargo. Por meio de um farmacêutico e um médico a distância, é possível dar um primeiro atendimento em casos de baixa complexidade. Como há testes rápidos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – Beta HCG, H Pylori, aferição de pressão e glicemia –, o médico pode solicitar o exame, o farmacêutico aplica o teste e envia o resultado para o médico, que avalia e manda a prescrição para o celular do paciente, para ele fazer a compra.

Remédios em profusão na indústria farmacêutica

Parte dos medicamentos comprados pelo SUS, o maior instrumento de política pública de saúde, é hoje atendida pelas Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) firmadas nos últimos cinco anos. E o SUS atende mais de 150 milhões de brasileiros – cerca de 75% da população depende da rede pública de saúde. Um mercado gigante e atraente para qualquer laboratório farmacêutico global.

“Para pensarmos seriamente em produção local em larga escala de IFAs, temos que ter condições competitivas como fornecedores regionais de peso, pelo menos nas Américas. O que significará rever questões tributárias, incentivos a pesquisas, como as clínicas e médicas, onde o Brasil pode facilmente ser muito competitivo. Ou seja, tem que ser uma política de Estado, e não de um governo apenas”, diz Nelson Mussolini, presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticas (Sindusfarma).
A Eurofarma, outra líder de medicamentos do país, aposta na inovação (incremental ou radical) para manter sua média de crescimento de 20% ao ano em mais de uma década. Maria del Pilar Muñoz, vice-presidente da Eurofarma, adianta que há mais de 270 projetos na empresa, que lança em média 40 novos medicamentos por ano no Brasil. O investimento em pesquisa e desenvolvimento em 2022 somou R$ 591 milhões, o equivalente a 7,4% da receita líquida, e a projeção para 2023 é superior a R$ 700 milhões. Um dos focos das inversões da Eurofarma é a nova unidade fabril de Montes Claros (MG) para reforçar a diversificação da oferta de remédios da companhia, que abrange desde as áreas de medicamentos sob prescrição médica, de uso restrito hospitalar, a genéricos e venda livre em balcão. Recentemente a sua planta de Itapevi foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos, equivalente à Anvisa, para exportações para aquele país.

Setor óptico tem boa perspectiva

Desenvolvimento de novos produtos atende diversos públicos, do infantil até os que sofrem com aumento progressivo da miopia na população.
Com 40 milhões de pessoas que precisam de correção visual, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o mercado brasileiro tem papel de destaque no setor óptico, que fechou 2022 com crescimento de 11,17% em relação ao ano anterior e faturamento superior a R$ 24 bilhões no ponto de venda (PDV).

No primeiro trimestre de 2023, o crescimento foi 9,8% maior que o registrado em igual período do ano passado, com faturamento de R$ 6,7 bilhões. “Como a economia brasileira não traz bons sinais para o segundo semestre, estamos mais conservadores em relação ao desempenho do setor em 2023 e projetamos crescimento de 10,7%”, diz Ambra Nobre Sinkoc, diretora-executiva da Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica), que representa 95% das marcas e grifes de lentes de contato e oftálmicas e de equipamentos ópticos comercializadas no país.

Mais recursos ampliam o acesso a remédios gratuitos

Nesta nova versão, o programa, criado pelo próprio presidente Lula, em 2004, teve o orçamento reforçado neste ano, ampliação da cesta de medicamentos e retomada do credenciamento de novas farmácias. Com isso, o plano é suprir uma antiga queixa daqueles que necessitam de atendimento, em especial pessoas de baixa renda: a falta de remédios nas farmácias que distribuem medicamentos gratuitos à população.