A verdade sobre os preços de medicamentos: como a regulação não impede valores abusivos
Essa regulação coloca os consumidores, especialmente aqueles que dependem de tratamentos contínuos, em uma situação muito desfavorável, criando um aspecto alarmante do mercado farmacêutico: nunca sabemos verdadeiramente o valor real daquele produto diante de uma variação de preços tão significativa, sem uma justificativa clara para o consumidor.
Além disso, mesmo em farmácias da mesma rede, fatores como comprar online, pessoalmente ou fornecer o número do CPF para obter um desconto podem influenciar no valor final pago. O preço que pagamos na farmácia é determinado pelos descontos supostamente aplicados pelas empresas, possibilitando que os valores variem consideravelmente, ainda dentro dos limites da lei.
“A hipótese do Idec é que as farmácias propositalmente colocam o preço no teto da regulação para coagir o consumidor a fornecer o CPF para um desconto que, na verdade, é artificial”, afirma a analista.
Por exemplo, verificamos que o Cetoprofeno, medicamento anti-inflamatório, possui um preço máximo para o consumidor de R$ 50,76, conforme estabelecido pela tabela da Cmed. Contudo, ao compararmos os preços em diferentes farmácias, observamos variações significativas. Na Paguemenos, por exemplo, o valor é de R$ 45,92, mas com o desconto do CPF, o preço cai para R$ 21,45, mais de 50% de abatimento. Na DrogaRaia, o preço com desconto é de R$ 31,39. Já na Drogaria São Paulo, ao fornecer o CPF, o preço inicial de R$ 47,03 é reduzido para R$ 17,19.
