Por Jéssica Sant’Ana, Valor — Brasília
26/06/2023 13h56 Atualizado há 18 horas
Em meio a críticas de Estados e de alguns setores da economia, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, saiu em defesa da reforma tributária sobre os impostos que incidem sobre o consumo. Ele afirmou que os impactos da reforma serão diluídos ao longo do tempo e que o texto dará um impacto “extraordinário” na produtividade brasileira.
“Os impactos da reforma tributária são muito diluídos no tempo. Isso é uma virtude da reforma tributária, porque ao diluir no tempo, ninguém está pensando no próprio umbigo, está todo mundo pensando no que é melhor para o país. Não pode se falar em concessão, tem que se falar em busca de equilíbrio, vai ter uma dança de cadeiras aí, todo mundo vai sair da onde está e vai para outro lugar”, disse o ministro a jornalistas.
“Ao diluir no tempo, você não pensa no curto prazo, naquilo que você ganhar poder ganhar ou perder do ponto de vista do interesse próprio. Você tem que pensar que você vai dar um salto de qualidade para o país que vai dar um impacto na produtividade da economia extraordinário, você vai vencer o debate sobre a insegurança jurídica que nós temos hoje, tanto para os contribuintes quanto para os gestores públicos, vai pacificar a guerra fiscal que já produziu os piores resultados para federação, ninguém ganhou, todo mundo perdeu”, completou.
Ele afirmou, ainda, que estamos “às vésperas de uma oportunidade que há muito tempo não se via no Brasil”, se referindo à previsão de votação do texto na primeira semana de julho na Câmara dos Deputados. “Teve um economista que chegou a falar que pode ser o novo Plano Real do Brasil.”
Sobre as críticas do setor de serviço, classificou como “normais”. “Em reta final de uma negociação complexa, todo mundo se manifestando, mas você tem ali um colegiado representativo do povo, da federação, e você vai ter uma conclusão do processo. Eu estou muito confiante.”
Questionado se o governo concordaria em aumentar para R$ 75 bilhões o valor anual de aporte do Fundo de Desenvolvimento Regional, Haddad respondeu: “Na reta final, todo mundo vai se manifestar. A gente tem que saber que tem um equilíbrio. Não adianta eu resolver o meu problema de curto prazo que é aprovar a reforma e quem tiver no meu lugar daqui 5 anos não conseguir cumprir. Essa é a questão. Temos que fazer uma coisa que todo mundo consiga cumprir. Amanhã um governador é presidente da República, ele tem que saber que vai ter que cumprir essa emenda constitucional. Então não pode facilitar.”
Fonte: Valor Econômico


