O Banco Central Europeu (BCE) elevou nesta quinta-feira as principais taxas de juros na decisão em 0,25 ponto percentual (p.p.), a primeira alta pela desde 2023. A autoridade monetária revisou as projeções de inflação para cima e também previu uma desaceleração da atividade econômica para este ano e o próximo, citando os impactos da guerra no Irã.
A autarquia subiu a taxa de depósito para 2,25%, a taxa de refinanciamento foi para 2,40% e a taxa de empréstimo, para 2,65%, em linha com as expectativas do mercado.
“A guerra no Oriente Médio está gerando pressões inflacionárias, e a decisão de aumentar as taxas de juros é sólida em diversos cenários que descrevem como o choque pode evoluir e afetar as perspectivas de médio prazo para a zona do euro”, disse a autoridade monetária em comunicado.
O BCE projeta que a inflação geral deverá atingir uma média de 3% em 2026, 2,3% em 2027 e 2% em 2028. Já para o núcleo da inflação, que exclui itens voláteis como energia e alimentos, a previsão é de uma média de 2,5% tanto para 2026 quanto para 2027, e 2,2% em 2028. A equipe revisou para cima as expectativas de avanço dos preços para este ano e o ano que vem.
A projeção para a atividade econômica prevê um crescimento médio de 0,8% em 2026, 1,2% em 2027 e 1,5% em 2028. O BCE revisou para baixo as expectativas para este ano e o próximo, refletindo um impacto mais acentuado da guerra nos mercados de commodities, na renda real e na confiança.
Ainda assim, o BCE reconhece que as perspectivas permanecem incertas, com riscos de alta para a inflação e de baixa para o crescimento econômico, visto que os impactos dependem da intensidade e duração do choque nos preços da energia, da escala dos efeitos indiretos e de segunda ordem.
A autoridade monetária reiterou que permanece bem posicionada para lidar com a incerteza causada pela guerra e seguirá com uma abordagem dependente de dados. “O Conselho do BCE não está se comprometendo antecipadamente com uma trajetória específica para as taxas de juros.”
Fonte: Valor Econômico


