Coluna do Broadcast 18 Aug 2023
O comandante da operação brasileira de um grande fundo de investimentos estrangeiro travou conversas um pouco antes das férias de julho com autoridades norte-americanas que preparavam a visita de duas comitivas dos Estados Unidos que virão ao Brasil. Elas estão atrás de empresas capacitadas para o chamado ‘nearshoring’, o movimento que irá tirar a produção destinada ao mercado norte-americano da China para outros países mais próximos. O movimento começou com a pandemia e foi intensificado com o aumento da tensão geopolítica entre os dois países, no governo de Donald Trump. O interesse dos visitantes norte-americanos estará em áreas como produção de vacinas e semicondutores, entre outros.
Investidores estão de olho na região
“É mais do que discurso: tem investidores sérios, que olham a tendência e acreditam que Brasil, Colômbia, Peru e Chile podem ser beneficiários desse movimento”, diz. “É um movimento inevitável – os EUA vão diminuir a dependência da China num caminho em que trilhões de dólares vão se alocar.”
Matriz limpa é vantagem brasileira
Para a fonte, o Brasil tem uma grande vantagem competitiva sobre o México: a matriz energética limpa. Com a simplificação tributária que deve ocorrer pela reforma em andamento no Congresso e a tendência de juro menor, o País seria imbatível em atrair investimentos. O condicional, diz ele, é o governo.
OPORTUNIDADE…
Em primeiro lugar, há a falta de uma política de Estado para atrair recursos do “nearshoring”. O que já ocorre na prática com a prestação de serviços, com funcionários de empresas brasileiras trabalhando daqui para atender ao mercado estrangeiro, poderia ser ampliado às fábricas estratégicas para aquele país. Neste caso, os investimentos seriam bem mais pesados.
…PERDIDA?
Além disso, há aproximações com Rússia e China, ataques às sanções dos EUA à Venezuela e ao dólar como moeda padrão de comércio. A criação da moeda única do Mercosul, para permitir o comércio na região desvinculada da paridade do dólar, é uma das iniciativas nesse sentido.
DISCURSO.
Segundo a fonte, o Brasil tem um discurso bom sobre a retomada da preservação ambiental, mas seria necessário maior pragmatismo e trocar o discurso de combate à pobreza via aumento de gastos pelo crescimento econômico.
SURFANDO.
Enquanto o Brasil não aproveita o “nearshoring”, o México mostra os primeiros sinais da nova onda. No primeiro trimestre, o investimento externo direto no país subiu 48%. O banco Morgan Stanley prevê que novos investimentos no país somarão US$ 46 bilhões em cinco anos.
Fonte: O Estado de S. Paulo.


