Nos últimos meses, uma maior demanda do setor privado por diversificação em ouro, refletida pelo aumento das estruturas de opções de compra do metal, ampliou a volatilidade nos preços e reduziu a demanda dos bancos centrais pelo ativo. Caso o cenário atual seja temporário e a oscilação diminua, segundo o Goldman Sachs, os preços devem subir lentamente até a faixa dos US$ 5,4 mil até o fim do ano. No entanto, se o comportamento recente se mantiver, a alta do ouro pode ser ainda mais rápida e desordenada.
Os estrategistas do Goldman explicam que o aumento na demanda por diversificação do setor privado, expressa, em parte por meio de estruturas de opções de compra de ouro, impulsionou uma elevada volatilidade nos preços.
“Isso ocorre porque, à medida que os preços sobem, os brokers que venderam essas opções de compra são forçados a comprar ouro para manter as proteções, amplificando mecanicamente os movimentos de alta. Por outro lado, mesmo recuos modestos podem levar os players a mudar de uma postura de comprar na tendência de alta para uma postura de vender na tendência de baixa, potencialmente provocando stops dos investidores, o que, por sua vez, pode levar a perdas adicionais, como observamos no fim de janeiro”, afirmam Lina Thomas e Daan Struyven.
O aumento da volatilidade, por sua vez, levou a um recuo importante na demanda dos bancos centrais pelo metal. Segundo a estimativa em tempo real de demanda dos BCs por ouro do Goldman, o número foi de 22 toneladas de ouro em dezembro, frente a uma média dos 12 meses anteriores de 52 toneladas.
Segundo os estrategistas, embora a demanda pelo metal precioso pelos bancos centrais seja um indicador importante para os preços do metal, a desaceleração deve ser temporária.
“Acreditamos que essa desaceleração será temporária, com base em nossas conversas com os bancos centrais. Há uma mudança estrutural na forma como os gestores de reservas percebem os riscos desde o congelamento das reservas da Rússia em 2022 e, em nossa opinião, as grandes alocações de ouro dos bancos centrais dos mercados emergentes permanecem bem abaixo de suas metas prováveis”, afirmam.
“Nossas conversas sugerem que os gestores de reservas continuam dispostos a comprar ouro para se proteger contra riscos geopolíticos e financeiros, mas preferem adiar as compras até que os preços se estabilizem”, apontam.
O cenário-base do Goldman é conservador e prevê que não haverá diversificação adicional do setor privado, o que implica uma moderação na volatilidade do preço do ouro. “Nesse cenário base, esperamos que as compras dos bancos centrais voltem a acelerar, com a acumulação continuando amplamente no ritmo observado em 2025, enquanto os investidores privados aumentam sua exposição apenas em resposta aos cortes nas taxas do Fed. Juntos, esses dois fatores levam o ouro a subir lentamente para US$ 5,4 mil a onça até o final de 2026”, afirmam.
No entanto, caso a maior diversificação do setor privado persista, impulsionada pelos riscos fiscais percebidos em várias economias ocidentais, os preços podem subir ainda mais rápido. “Quando expressa por meio de estruturas de opções de compra, essa demanda pode ser inerentemente mais volátil e pode — pelo menos temporariamente — diminuir a demanda dos bancos centrais dos mercados emergentes no curto prazo. Nesse cenário, vemos um risco significativo de alta para nossa previsão, juntamente com uma volatilidade persistentemente mais alta”, apontam.
De maneira tática, à medida que a demanda de opções de compra por ouro voltou a níveis recordes após a queda exibida pelo metal no fim de janeiro, mesmo catalisadores modestos, que normalmente provocariam apenas recuos limitados no ouro — por exemplo, uma correção moderada do mercado acionário por meio de liquidação relacionada à margem ou uma redução gradual da tensão geopolítica — poderiam resultar em quedas maiores do que o normal nos preços do ouro.
“Consideramos que o limite inferior de tais movimentos seja em torno de US$ 4,7 mil a onça. Dito isso, conforme observado no final de janeiro, esperamos que tais quedas sejam de curta duração, já que o feedback dos clientes sugere uma demanda reprimida por parte dos investidores que buscam aumentar sua exposição ao ouro nas quedas”, concluem.
Fonte: Valor Econômico
