As ações de empresas de software dos Estados Unidos foram atingidas por uma nova explosão de vendas nesta segunda-feira (23), já que os investidores continuam apreensivos com a possibilidade de que a inteligência artificial subverta o setor. A liquidação se estendeu aos grupos de capital privado que fizeram empréstimos pesados para empresas de tecnologia.
O índice S&P 500 de Wall Street caiu 1,04% nesta segunda-feira (23) em Nova York. O Nasdaq Composite, que tem forte participação de empresas de tecnologia, perdeu 1,13%.
A programação é o primeiro campo em que a IA mostrou desempenho melhor que o de humanos”
As ações de empresas de software que foram muito afetadas nas últimas semanas por causa dos temores em torno do eventual impacto da inteligência artificial estiveram entre as de pior desempenho nesta segunda-feira. As de Workday, CrowdStrike e Datadog caíram mais de 8%, enquanto as de Salesforce e ServiceNow perderam cerca de 5%.
A movimentação aconteceu depois que Jenny Johnson, executiva-chefe da gestora de ativos americana Franklin Templeton, com US$ 1,7 trilhão em ativos sob gestão, disse ao Financial Times que “é preciso se perguntar a sério se os grupos de software para empresas conseguirão prosperar” à medida que novos modelos comecem a transformar seus negócios em commodities.
As gigantes do capital privado dos EUA, que fizeram empréstimos a empresas de software e têm participações acionárias nelas, também foram apanhadas pela onda de vendas desta segunda-feira, dias após a Blue Owl ter deixado o setor de “cabelo em pé” ao suspender permanentemente os resgates de investidores em um de seus fundos.
A nova queda marca o ponto mais baixo dos setores de software e de capital privado
Ares, KKR, Apollo e Blackstone caíram mais de 6%, prolongando seu início de ano ruim, enquanto crescem as preocupações de que a volatilidade do mercado causada por temores em torno do impacto da IA possa desacelerar a captação de recursos e atrasar a venda de ativos. As ações da Blue Owl recuaram 5%, o que eleva sua queda no ano para mais de 30%.
O setor de software foi responsável por cerca de 18% do valor das transações de “private equity” nos EUA em 2025, de acordo com dados da Pitchbook.
As quedas de segunda-feira marcam o ponto mais baixo dos setores de software e capital privado na sequência do lançamento de novas ferramentas de programação pela startup de IA Anthropic, no início deste mês.
Nos últimos tempos, investidores têm se aproveitado de boatos nas redes sociais e de avanços graduais de pequenas empresas da área de inteligência artificial para justificar novas vendas. O catalisador mais recente desse movimento foi um post no blog da Citrini Research que teve muita circulação no fim de semana. Ele descreve de modo hipotético como a IA poderia empurrar a taxa de desemprego nos EUA para mais de 10% até 2028.
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“A programação tornou-se o primeiro campo em que a IA mostrou ter um desempenho comprovadamente melhor do que o dos seres humanos em escala e, como resultado, o setor de software… surgiu como o ponto de pressão mais imediato”, disseram analistas do UBS liderados por Samantha Meadows. “Percebemos o maior risco de ruptura [causada por softwares de IA] em empréstimos alavancados e crédito privado, áreas em que a tecnologia representa uma parcela maior das carteiras.”
Em uma indicação do aumento dessa preocupação, os resgates dos fundos de dívida privada, populares entre os poupadores ricos, subiram para uma média de 4,4% de seus ativos líquidos no quarto trimestre, quando ficaram em 1,6% no trimestre anterior, segundo a Fitch Ratings.
Investidores se deslocaram para posições defensivas à medida que os setores de maior risco caíam. O setor de comunicações, cobiçado por seus dividendos consistentes, foi um dos poucos a registrar ganhos nesta segunda-feira.
Os bônus do governo dos EUA também subiram de preço, o que levou à queda de suas taxas de retorno. As dos bônus de 10 anos do Tesouro americano caíram 0,05 ponto porcentual, para 4,04%. (Colaboraram Joe Leahy, de Pequim, e Ian Smith, de Londres) (Tradução de Lilian Carmona)
Fonte: Valor Econômico


