A eleição deve assumir o comando dos mercados brasileiros nos próximos meses, com pesquisas e rumores capazes de provocar movimentos bruscos nos ativos. Mesmo diante da perspectiva de maior volatilidade, porém, a Verde Asset mantém exposição à Bolsa brasileira e vê espaço para continuar posicionada em renda variável.
Em carta divulgada nesta terça-feira (11), a Verde, do gestor Luis Stuhlberger, lembra que o Ibovespa teve uma performance “surpreendentemente resiliente” em julho. Nesse período, o Ibovespa subiu 3,47%, depois de quatro meses seguidos de queda, enquanto os juros passaram por correção, diante de dados de inflação mais comportados
O fundo Verde teve ganho de 1,09% em julho, abaixo do CDI, que subiu 1,22% no período. No ano, o fundo acumula ganhos de 8,18% e supera o CDI, que avança 8,14%.
Devemos ver uma maior volatilidade ao sabor do boato ou da pesquisa do dia – Verde Asset
No cenário global, a Verde lembra que julho foi marcado por uma queda dos índices ligados ao boom de inteligência artificial (IA), como o sul-coreano Kospi e o SOX, índice de empresas de semicondutores dos Estados Unidos, que caíram 22,2% e 20,6%, respectivamente.
A gestora não vê mudanças relevantes nos fundamentos do tema, mas avalia que aspectos técnicos – especialmente a alavancagem crescente de investidores na tese ligada à IA – tornaram esse mercado inerentemente frágil a qualquer pequena mudança. “Vemos uma situação técnica bastante mais limpa após a correção de julho e continuamos engajados no tema inteligência artificial”, destaca.
Outra dinâmica determinante para os rumos do mercado girou em torno da decisão do Federal Reserve (Fed). O banco central americano manteve a taxa de juros do país inalterada no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano, embora três dirigentes tenham votado por um aumento de 0,25 pontos-base.
Na coletiva de imprensa após a publicação do comunicado, Kevin Warsh, presidente do Fed, soou menos duro do que o mercado esperava, o que levou a um movimento de queda do dólar nos dias seguintes, dinâmica também favorecida por dados mais fracos de emprego nos EUA.
“É apenas a segunda reunião dessa nova liderança do banco central americano e até aqui ele conseguiu surpreender todos os lados. Continuamos a buscar separar o ruído do sinal, mas temos de fazê-lo a partir de uma posição de humildade epistêmica”, diz a Verde.
A casa menciona ainda que a terceira dinâmica relevante do mês foi o retorno do conflito no Oriente Médio, com renovados ataques no Estreito de Ormuz e novos bombardeios americanos na região, o que levou o petróleo a fechar julho com ganhos acima de 20%.
A Verde acredita que essa incerteza deve continuar e vê o excesso de oferta de óleo no mundo como uma realidade inescapável no médio prazo. “O mundo tropeça rumo a uma realidade de excesso de petróleo cru e falta estrutural de capacidade de refino”, destaca.
Em julho, o fundo teve ganhos em ações no Brasil e em hedges (instrumentos de proteção) no mercado de juros. As perdas vieram de Bolsa global, metais preciosos e juro real americano.
O fundo Verde manteve exposição em renda variável global e no Brasil. Na renda fixa local, não adotou posições direcionais. Nos Estados Unidos, preservou posição aplicada em juro real. Também continuou alocado em ouro e prata. Os hedges estruturais do portfólio foram mantidos, assim como a alocação em crédito local.
Fonte: E-Investidor

