O Bradesco Global Investments Solutions decidiu manter inalterada sua alocação tática para agosto, em relatório intitulado “Mantendo o curso”, assinado pela equipe liderada pelo estrategista-chefe Carlos Machado. A única posição de sobrepeso segue sendo juro real, contra subpeso em pós-fixado; prefixados, renda variável Brasil e EUA e todo o bloco de alternativos permanecem neutros.
No cenário internacional, julho foi marcado pela volatilidade do petróleo em meio às negociações entre EUA e Irã e pela reunião do Fed, que manteve as taxas apesar de três membros terem votado por alta. O movimento inclinou a curva de Treasuries: os juros de 2 anos avançaram 12 bps e os de 10 anos, 27 bps. A precificação do Fed para julho de 2028 saltou de 2,93% em 26 de fevereiro para 4,14% em 3 de agosto. Segundo o banco, a redução das tensões em Ormuz diminuiu os riscos para atividade e inflação global, mas a força da atividade, a política fiscal expansionista e a fragilidade do cessar-fogo devem manter a inflação pressionada. Na contabilidade física do petróleo, dos 20 milhões de barris/dia potencialmente afetados, o déficit líquido é próximo de zero — os preços refletem mais prêmio de guerra do que perda efetiva de oferta.
O MSCI World ficou próximo da estabilidade no mês, enquanto S&P 500, Nasdaq e bolsas asiáticas — mais expostos a IA e semicondutores — registraram quedas. A correção concentrou-se nas empresas ligadas ao tema de IA, com abertura de 4 bps nos spreads High Grade e 12 bps no High Yield. O KOSPI recuou 38% do pico, ainda acumulando alta de 51% no ano. O banco vê o movimento como reprecificação, não deterioração: o índice preço/lucro das Sete Magníficas voltou a patamares que, nas quatro ocasiões anteriores desde 2016, foram seguidos por altas de 32% a 58% no Nasdaq em 12 meses.
No Brasil, o Ibovespa avançou 3,5% em julho, interrompendo quatro meses consecutivos de queda, favorecido pela retomada do fluxo estrangeiro e por dados de inflação melhores que o esperado. Em 12 meses, o índice acumula 33,8%. O real valorizou-se 1,7%, beneficiado pela fraqueza global do dólar, que recuou 1,2% contra as principais moedas. Na renda fixa doméstica, os prefixados abriram cerca de 20 bps e os juros reais fecharam 12 bps, elevando a inflação implícita em 32 bps; os spreads das debêntures incentivadas AAA ficaram estáveis, refletindo o menor volume de resgates nos fundos de crédito.
Os sinais de desaceleração ganharam força: a produção industrial perdeu dinamismo e a geração de vagas formais desacelerou para 85,9 mil em abril e 73,0 mil em maio, ante 145,2 mil em junho. As expectativas de IPCA estão em 5,03% para 2026, 4,22% para 2027 e 3,80% para 2028 — ainda acima do centro da meta, o que sustenta a cautela do Copom, que, no comunicado da 280ª reunião, apontou a desancoragem das expectativas de prazos mais longos como fator que aumenta o custo da desinflação. A Pesquisa Econômica Bradesco projeta Selic de 13,75% ao fim de 2026 e 11,00% em 2027, com PIB de 2,0% e 1,5%, respectivamente, e dívida bruta subindo de 82,7% para 87,1% do PIB.
O perfil da dívida reforça o desafio fiscal: a parcela em taxa flutuante atingiu 49%, próxima do pico de 52% registrado em 2003. Ainda assim, o banco vê assimetria favorável nos vencimentos intermediários — um retorno da curvatura de juros ao nível médio geraria ganhos simulados de até 16% em 12 meses nos papéis com vencimento entre 2030 e 2032.
Na frente de produtos, o relatório destaca que o Bradesco retomou a liderança nas originações de renda fixa em 2026, com R$ 62,033 bilhões no primeiro semestre e participação de mercado de 27,8%. O banco também reforça que a recente fraqueza do dólar abre janela de oportunidade para internacionalização, e que a diversificação internacional permanece relevante mesmo após a acomodação dos mercados globais.
Fonte: Bradesco Global Investments Solutions, “Cenário e Estratégia de Investimentos — Mantendo o curso”, agosto de 2026. Data-base: 31/07/2026.

