Entre 2019 e 2021, healthtechs captaram US$ 730 milhões
Por Danylo Martins — Para o Valor, de São Paulo
31/05/2022 05h04 Atualizado há 7 horas
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André Brandão, da Medictalks: meta de encerrar o ano com 50 mil usuários — Foto: Divulgação
Problemas e ineficiências não faltam para serem resolvidos no setor de saúde. Ao todo, existem mais de mil healthtechs no Brasil, segundo levantamento feito para o Valor pela Sling Hub, plataforma de inteligência de dados de startups. Entre 2019 e 2021, as startups no setor captaram mais de US$ 730 milhões. Nesse período, foram nove rodadas envolvendo healthtechs com ênfase em gestão hospitalar que, juntas, somaram US$ 104,3 milhões, mostram dados apurados pela plataforma.
Um outro estudo recém-divulgado pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups) em parceria com a Deloitte aponta que quase metade (45%) das healthtechs no país foi criada entre 2019 e 2021, e a maior parte (57%) já recebeu investimentos. A Medictalks, por exemplo, acaba de levantar R$ 2 milhões em rodada que teve a participação da Bossanova Investimentos e Aimorés e do fundo japonês Incubate Fund. Na captação, a empresa foi avaliada em R$ 30 milhões.
Fundada em 2020, a startup oferece uma plataforma digital de acesso gratuito com conteúdos (vídeo-aulas, cursos, artigos, webinars e podcasts) feitos por médicos, para outros médicos e profissionais da saúde. Hoje, possui mais de 12 mil usuários, com plano de encerrar o ano com 50 mil. Em 2021, faturou mais de R$ 2 milhões e planeja chegar a R$ 5 milhões neste ano, diz André Brandão, CEO e fundador da Medictalks.2 de 2
Um dos principais objetivos para 2022 é expandir a área de atuação para mais especialidades médicas, atraindo um número maior de usuários. Outro plano é a criação de um algoritmo, já em desenvolvimento, que vai centralizar e sugerir conteúdos do mundo todo, de acordo com o comportamento de cada usuário.
Também recebeu investimento este ano a Nilo Saúde, plataforma de gestão de relacionamento e cuidado de pacientes. Em fevereiro, a healthtech captou US$ 10 milhões com fundos como GFC, Upload Ventures, Maya Capital e Canary, entre outros. Grande parte do recurso vai para aumentar a equipe, que já dobrou de tamanho desde então, diz Victor Marcondes, CEO da Nilo Saúde.
Fundada em 2020 por ele e pelos também engenheiros Isadora Kimura e Rodrigo Grossi, a startup oferece sua solução para operadoras de saúde, hospitais e redes de clínicas que querem criar relacionamentos mais próximos e de engajamento com seus pacientes. A empresa não revela o número de clientes. “Crescemos dez vezes este ano. Devemos crescer pelo menos mais dez até o final do ano.”
Também nascida em 2020, a Klivo quer melhorar o cuidado de pacientes com doenças crônicas. Por meio de tecnologia de ponta com cuidado humanizado, a startup acompanha o paciente desde o momento da alta, ajudando-o a seguir a prescrição médica, monitorando sinais e sintomas para garantir a boa evolução clínica.
Para crescer, a empresa recebeu em novembro um aporte de R$ 45 milhões e, em março, uma extensão de R$ 5 milhões. Entre os investidores estão nomes como Valor Capital Group; Yaya Capital, gestora que tem entre os fundadores membros da família Moll; fundo Kortex, criado por Fleury e Sabin; e Hospital Albert Einstein.
Hoje, a Klivo tem 31 clientes. A base reúne 23 mil membros, com expectativa de chegar a 60 mil neste ano, afirma Pedro Pina, head de estratégias e finanças da Klivo.
Já a Carefy construiu uma plataforma de gestão de pacientes internados para instituições de saúde. Marcelo Santos, CEO e cofundador da Carefy, diz que a solução reduz o tempo de internação de pacientes em até 40% e os custos de internação em até 13%. Até hoje, a startup já monitorou mais de 350 mil internações em mais de 860 hospitais, e soma mais de 2,8 milhões de beneficiários na carteira.
O negócio atraiu a Bossanova Investimentos e a Elife Participações, que investiram R$ 1,7 milhão no primeiro semestre do ano passado. A expectativa da Carefy é triplicar o faturamento neste ano.
Fonte: Valor Econômico