O cobre atingiu o patamar recorde de mais de US$ 13.000 a tonelada nesta terça-feira (6), com as preocupações com interrupções na oferta e com tarifas prolongando um rali que já elevou o preço do metal em quase um terço desde outubro.
A cotação subiu 3% no início dos negócios em Londres, para mais de US$ 13.370 a tonelada, depois de ter ultrapassado a marca de US$ 12.000 pela primeira vez no fim de dezembro.
O preço do cobre vem atingindo uma série de máximas históricas desde que iniciou uma forte alta em outubro, após interrupções em várias minas importantes, incluindo o enorme complexo de Grasberg, da Freeport-McMoRan, na Indonésia.
As interrupções intensificaram as preocupações com a escassez no médio prazo de um metal amplamente utilizado em diversos setores, como construção, energia e tecnologia.
Analistas acreditam que a demanda aumentará graças em parte ao seu uso em centros de dados que alimentam a inteligência artificial – um setor em crescimento acelerado – e em aplicações de Defesa.
As interrupções na oferta devem continuar este mês, depois que trabalhadores da mina de cobre e ouro Mantoverde, da Capstone Copper, no Chile, entraram em greve. A companhia sediada em Vancouver disse no começo do mês que as atividades na mina “serão gradualmente reduzidas de uma maneira segura”.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2026/t/G/ljZAUcTmS3Aay520Z2Tw/arte07emp-202-cobre-b5.jpg)
Embora a demanda mundial por cobre esteja crescendo, muitas das maiores minas do planeta estão envelhecendo e se tornando menos produtivas, e são necessários muitos anos e somas vultosas de dinheiro para encontrar novas jazidas e colocar novas minas em operação.
Analistas da BMI, divisão da Fitch Group, disseram nesta semana acreditar que o preço médio do cobre será de US$ 11.000 por tonelada este ano, enquanto as cotações devem alcançar US$ 17.000 a tonelada em 2034. Isso ocorreria porque “um déficit estrutural persiste, devido a uma perspectiva de demanda forte à medida que a transição verde se acelerar na segunda metade da década”, disseram ele.
Temores de que o governo Trump possa impor tarifas de importação adicionais ao metal também vêm estimulando a demanda, com os negociadores procurando enviar grandes volumes para os EUA antes de eventuais novas sobretaxas.
A quantidade de cobre armazenada nos depósitos da Comex nos EUA saltou para um recorde de mais de 450 mil toneladas, comparado a menos de 100 mil toneladas um ano atrás, e cerca de 400 mil toneladas no começo de dezembro.
A captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelo governo dos EUA “não parece ter tido impacto sobre o atual apetite pelo risco no mercado de cobre”, disseram analistas da Benchmark Mineral Intelligence, em nota. A demanda por cobre é amplamente vista como um termômetro da saúde da economia.
As interrupções na oferta e a escassez de cobre fora dos EUA explicam por que faz sentido o preço do cobre estar mais alto do que há um ano, quando ele estava em cerca de US$ 9.000 a tonelada, disse Albert Mackenzie, analista da Benchmark.
Mas o preço do cobre “passou do ponto, o mercado exagerou”, acrescenta ele. “Há coisa demais baseada em especulações, por exemplo sobre como poderá ser a demanda da IA e dos veículos elétricos – fatores que ainda não são certos.”
Fonte: Valor Econômico


