Por Nikkei Asia — Nova Déli
21/03/2023 09h03 Atualizado há um dia
O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, anunciou mais de US$ 75 bilhões em infraestrutura e assistência de segurança para o Indo-Pacífico durante uma visita à Índia na segunda-feira (20).
Kishida fez a promessa em discurso em evento organizado pelo think tank Indian Council of World Affairs, após uma cúpula individual com Modi, na qual convidou o líder indiano a participar da cúpula do Grupo dos Sete (G7) em Hiroshima em maio. Modi aceitou o convite.
A nova assistência ao desenvolvimento, a ser fornecida até 2030 em conjunto com o setor privado, surgiu quando Kishida delineou sua própria visão para um “Indo-Pacífico livre e aberto”. Ele credita essa visão ao seu antecessor, Shinzo Abe, que firmou esse conceito em 2016. Abe foi assassinado no Japão em julho de 2022.
Desde então, disse Kishida, a comunidade internacional viu grandes eventos que poderiam ser descritos como mudanças de paradigma, incluindo a pandemia de covid-19 e a invasão da Ucrânia pela Rússia. Isso nos obriga “a enfrentar o desafio mais fundamental – defender a paz”, disse o líder japonês.
A visita de dois dias de Kishida à Índia ocorre em um cenário não apenas de guerra na Europa, mas também de preocupações com a crescente influência chinesa na região do Indo-Pacífico.
Isso incluiu grandes investimentos em infraestrutura sob a iniciativa de infraestrutura de Pequim conhecida como Rota da Seda, alimentando o desenvolvimento, mas também levantando preocupações sobre a dívida insustentável em nações do Sul Global, como o Sri Lanka.
Kishida pediu o avanço do “investimento em infraestrutura de qualidade”, de acordo com as metas do Grupo dos 20 (G20), presidido pela Índia este ano. Como parte de sua proposta de ajuda, o primeiro-ministro também ofereceu assistência de segurança gratuita às forças armadas de nações afins.
Mas ele também alertou contra “divisão e confronto” descontrolados.
“Na comunidade internacional, está ocorrendo uma grande mudança no equilíbrio de poder”, disse ele em seu discurso, proferido em japonês. A ideia de um Indo-Pacífico livre e aberto, enfatizou, está enraizada no estado de direito, bem como no respeito pela diversidade, inclusão e abertura. “Em outras palavras, não excluímos ninguém.”
Kishida acrescentou: “Acredito que devemos almejar um mundo onde diversas nações coexistam e prosperem juntas sob o estado de direito sem cair na competição geopolítica”. Afirmando que sua visão exigia a cooperação de várias partes interessadas, disse: “É claro que a Índia é indispensável”.
Mais cedo, ambos falaram à imprensa em Nova Déli e saudaram a cooperação de seus países, destacando a importância de a Índia sediar o G20, e o Japão o G7, no mesmo ano.
“É por isso que é a melhor oportunidade para trabalhar em nossas respectivas prioridades”, disse Modi, acrescentando que um importante pilar da presidência do G20 da Índia é dar voz ao Sul Global – um termo coletivo para nações menos desenvolvidas.
Modi acrescentou que a parceria Índia-Japão é baseada em valores democráticos comuns e no respeito ao estado de direito. “Fortalecer esta parceria não é importante apenas para nossos dois países, mas também promove a paz, a prosperidade e a estabilidade no Indo-Pacífico”, disse ele em hindi.
Mais tarde, Kishida também revelou sua intenção de convidar outros países para a cúpula de Hiroshima, incluindo Vietnã, Coréia do Sul e Brasil.
Quanto à cooperação bilateral, os primeiros-ministros do Japão e da Índia discutiram áreas como equipamentos de defesa, comércio, saúde e economia digital, além da formação de cadeias de suprimentos para semicondutores e outros itens críticos para o desenvolvimento de tecnologias avançadas.
Kishida disse à mídia que Modi também compartilhou seus pensamentos sobre áreas como financiamento do desenvolvimento, segurança alimentar e energia verde durante a reunião.
Modi e Kishida se referiram a uma meta de investimento japonês de 5 trilhões de ienes (US$ 38,7 bilhões) na Índia durante um período de cinco anos, anunciada durante a visita do líder japonês no ano passado. “É uma questão de satisfação que tenha havido um bom progresso nessa direção”, disse Modi.
A cooperação econômica com a Índia continua a crescer rapidamente, o que “não apenas apoiará o desenvolvimento da Índia, mas também criará oportunidades significativas para o Japão”, disse Kishida.
Modi acrescentou: “Também estamos progredindo rapidamente no projeto ferroviário de alta velocidade Mumbai-Ahmedabad” no oeste da Índia, que está sendo construído com a ajuda japonesa.
Fonte: Valor Econômico
