A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk comparece à Justiça da África do Sul nesta quarta-feira (10) para tentar interromper a venda de cópias não aprovadas de semaglutida, principal ingrediente de seus medicamentos de sucesso para perda de peso e diabetes Wegovy e Ozempic.
A Novo Nordisk South Africa apresentou uma ação à Alta Corte do país solicitando que a farmácia de manipulação local iDexis seja impedida de fabricar, anunciar, distribuir e vender produtos para perda de peso contendo semaglutida com base que seriam “não registrados e não testados”, até que o tribunal analise o caso.
“Nossas preocupações estão relacionadas à segurança dos pacientes, à qualidade dos produtos e à supervisão regulatória”, afirmou a empresa em comunicado.
A manipulação farmacêutica — prática de misturar ou alterar ingredientes de medicamentos para pacientes específicos — é fortemente restrita na África do Sul e não é permitida para fabricação em larga escala ou venda de medicamentos não registrados, um limite legal que está no centro da disputa em curso na Alta Corte de Pretória.
A iDexis rejeitou as alegações da Novo, classificando-as como “escandalosas” e sem fundamento, e pediu que o tribunal obrigue a empresa a apresentar provas que sustentem as acusações, de acordo com documentos judiciais vistos pela Reuters.
A ação judicial da Novo reflete um movimento mais amplo das farmacêuticas para conter versões manipuladas de medicamentos GLP-1. Nos Estados Unidos, a Novo tomou medidas contra farmácias e plataformas de telemedicina que oferecem cópias de semaglutida, argumentando que elas contornam salvaguardas regulatórias e representam riscos à segurança.
Os medicamentos GLP-1, amplamente utilizados para diabetes e perda de peso, tiveram a demanda impulsionada na África do Sul no ano passado após o lançamento do blockbuster Mounjaro, da Eli Lilly, e posteriormente do Wegovy, da Novo.
O custo da menor dose injetável de Wegovy caiu de 3.090 rands (US$ 183) para 1.873 rands, enquanto o preço da dose mais alta recuou 27%, para 3.746 rands.
Sem condições de arcar com esses medicamentos, alguns pacientes migraram para versões manipuladas, criando um mercado cinzento para diversas farmácias e produtores locais.
Uma inspeção conjunta da South African Health Products Regulatory Authority e do South African Pharmacy Council concluiu que a iDexis estava produzindo medicamentos GLP-1, incluindo tirzepatida, para distribuição comercial mais ampla do que o permitido pelas regulamentações.
Os inspetores apontaram graves deficiências em qualidade, segurança e conformidade regulatória. As autoridades apreenderam produtos e determinaram o recolhimento de medicamentos distribuídos por profissionais de saúde e farmácias.
“A fabricação, promoção e distribuição ilegais de medicamentos GLP-1 não registrados para perda de peso constituem uma grave violação da lei e uma ameaça direta à segurança pública”, afirmou Vincent Tlala, CEO do Conselho Sul-Africano de Farmácia.
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Fonte: Valor Econômico