Por Nikkei Asia — Tóquio
22/03/2023 09h47 Atualizado há 48 minutos
A China está enfrentando um crescente surto de gripe que provocou a suspensão de aulas em escolas primárias e estimulou uma corrida por medicamentos antivirais, à medida que crescem os temores de outra pandemia no momento em que o país começa a se livrar da covid-19.
A taxa de pessoas que com influenza relatada por hospitais em todo o país saltou para 53,2% na semana encerrada em 12 de março, número 70 vezes maior do que o registrado cinco semanas antes, de acordo com os dados mais recentes do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Em comparação, a taxa nacional de casos de covid-19 na mesma semana foi de 2,7%, segundo os dados oficiais.
A cepa dominante na China é o H1N1, uma subvariante do vírus influenza A, também conhecido como gripe suína, que causou uma pandemia em 2009, matando até 575,4 mil pessoas em todo o mundo, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. Outro subtipo de influenza A, o H3N2, também está se espalhando pela China. O foi responsável por uma pandemia no final da década de 1960, matando cerca de 1 milhão de pessoas, segundo o CDC dos EUA.
Escolas duramente atingidas
O aumento dos casos de gripe coincidiu com o início do semestre da primavera. Um membro da equipe de um centro de controle de doenças de Xangai disse que os estudantes estão entre os mais afetados pelo surto de gripe.
Em uma turma do ensino fundamental de Pequim, quase 30% dos alunos estavam ausentes porque apresentavam sintomas de gripe. Em outra turma da mesma escola, quase metade dos alunos faltou em determinado momento por conta de gripe.
Uma professora de uma escola primária na província de Zhejiang, no leste da China, disse que um número crescente de alunos tem apresentado febre intermitente desde o início de março, levando à suspensão do ensino presencial em algumas aulas. Anteriormente, algumas aulas em Xangai, Tianjin e Pequim também foram suspensas depois que os alunos pegaram gripe, de acordo com declarações do governo e reportagens da mídia.
Os pais de vários alunos que contraíram a gripe disseram estar preocupados porque os filhos perderam a campanha de vacinação contra a gripe do ano passado devido à quarentena e outros controles da pandemia.
Medos de uma pandemia de gripe
Há temores de uma nova pandemia, já que a China não registrou muitos casos de gripe nos últimos três anos, mas especialistas disseram que os casos configuram apenas um surto de gripe sazonal e não é significativamente diferente dos anteriores, embora essa onda tenha ocorrido mais tarde do que o normal devido aos efeitos prolongados da política de “covid zero”.
A temporada de gripe na China geralmente dura de outubro a março, após o período, o clima mais quente torna menos propício à propagação de vírus, disse Zhang Zhenhua, médico de doenças infecciosas da Anhui Medical University.
Mas houve um aumento incomum nos casos de gripe em março porque algumas das precauções da covid-19 que permaneceram em vigor no inverno passado, como o uso de máscaras em locais públicos, também reduziram a propagação da gripe, de acordo com Zhang.
Ao mesmo tempo, três anos de controle pandêmico deixaram as pessoas com pouca exposição aos vírus da gripe, levando a uma queda da imunidade de rebanho e tornando-as mais suscetíveis a novas infecções, disse um especialista em controle de doenças.
Essa onda de gripe pode não ser tão grave quanto as pessoas pensam. Embora tenha havido um fluxo de pacientes no hospital em que trabalha, a maioria não era de casos graves que não exigiam hospitalização, disse Zhang.
Escassez de antivirais
Mesmo com a maioria dos casos sendo leves, a China pode viver uma repetição da corrida pela compra de medicamentos antivirais, como aconteceu nos últimos surtos de covid-19 no país.
“Quase não há mais Oseltamivir no mercado”, disse um funcionário do Hospital Infantil Jingdu, em Pequim. O funcionário disse que às vezes não há como fornecer o medicamento prescrito aos pacientes por falta de material.
A emissora regional de Hubei, no centro da China, informou no dia 13 de março que várias farmácias na capital da província, Wuhan, ficaram sem oseltamivir.
Outros medicamentos antivirais contra a gripe também estão escassos. Zhang disse que no hospital em que trabalha há falta de vários tipos de antivirais usados para tratar pacientes adultos com gripe.
Fonte: Valor Econômico
