A inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desacelerou para 0,58% em maio, após ficar em 0,67% em abril, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, a taxa é a maior para o mês de maio desde 2021, quando foi de 0,83%.
O resultado ficou acima da mediana das projeções de 29 instituições financeiras e consultorias, ouvidas pelo Valor Data, de alta de 0,54%. O resultado ficou dentro do intervalo das projeções, que iam de alta de 0,46% a 0,58%.
O IPCA subiu 3,20% nos cinco primeiros meses de 2026.
No resultado acumulado em 12 meses até março, o IPCA avançou 4,72%, ante 4,39% até abril. Pela mediana das projeções do Valor Data, a taxa esperada era de 4,68%. As estimativas variavam entre 4,60% e 4,73%.
Com isso, o resultado dos 12 meses até maio ficou acima do teto da meta inflacionária estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e perseguida pelo Banco Central (BC). A meta de inflação é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. Pelos novos parâmetros, da meta contínua de inflação, o IPCA ultrapassa o alvo se a inflação em 12 meses permanecer acima de 4,5% por seis leituras seguidas.
Das nove classes de despesas usadas para cálculo do IPCA, tiveram desaceleração da alta na passagem de abril para maio alimentação e bebidas (de 1,34% para 1,33%); artigos de residência (de 0,65% para 0,08%); saúde e cuidados pessoais (de 1,16% para 0,90%); educação (de 0,06% para 0%) e comunicação (de 0,57% para 0,23%). Transportes mudaram de direção (de 0,06% para -0,46%).
Por outro lado, foram registradas taxas maiores em habitação (de 0,63% para 1,22%); vestuário (de 0,52% para 0,62%) e despesas pessoais (de 0,35% para 0,41%).
O IBGE calcula a inflação oficial brasileira com base na cesta de consumo das famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos, abrangendo dez regiões metropolitanas, além das cidades de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília.
A inflação se espalhou menos pelos itens que compõem o IPCA em maio. O Índice de Difusão, que mede a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preços num período, recuou de 65,3% em abril para 65%, segundo cálculos do Valor Data considerando todos os itens da cesta.
Sem alimentos, um dos grupos considerados mais voláteis, o indicador passou de 64,1% em abril para 67,9% em maio.
Fonte: Valor Econômico