A grande lição de 2023 para o presidente-executivo (CEO) e chefe de investimentos (CIO) da Mar Asset Management, Bruno Coutinho, foi que os efeitos da pandemia e as reações da política econômica global foram deixados para trás e que os modelos econômicos devem voltar a funcionar em 2024, especialmente após a estabilização da economia americana.
“As políticas monetárias funcionaram para diminuir a dor social, mas geraram efeitos colaterais, e o principal foi a inflação. Víamos uma economia forte nos Estados Unidos no início de 2023, mesmo com a inflação próxima dos dois dígitos, o que não víamos desde a década de 1970”, aponta o gestor.
Em evento do UBS, ele destacou que o risco principal era o Federal Reserve (Fed, banco central americano) perder a credibilidade caso não conseguisse reduzir a inflação, especialmente no final de 2022, quando começou o aumento da taxa básica de juros. “Isso é um risco muito grande para os mercados. É como se fosse um elefante numa sala de cristal”, diz.
Um dos fatores que contribuíram para que a volta da inflação americana para perto da meta fosse menos custoso, segundo Coutinho, foi a entrada de cerca de cinco milhões de estrangeiros no mercado de trabalho americano, o que amorteceu o excesso de demanda ainda gerada pela pandemia.
Em relação à política monetária para 2024, Coutinho aposta que o Fed deve começar a reduzir os juros em março porque a taxa de juros real está subindo e a inflação está caindo rapidamente.
“Para a gente ter uma referência de número, em setembro o Fed projetava uma inflação em 2023 de 3,7% e a inflação ficou em 3,2%. Surpreendeu três vezes o Fed, em 50 pontos-base para baixo. Então, nós achamos que vai surpreender ainda mais”, destaca.
Assim, o gestor aposta que o primeiro movimento de queda de juros seja causado por conta da inflação baixa, em vez da desaceleração da economia.
Diante do cenário de inflação estrutural dos Estados Unidos mais alta e a desinflação surpreendente, apesar da atividade forte, a aposta da Mar Asset é de uma taxa de “fim de ciclo” em 2,5%, mesmo com a redução de juros a partir de março.
“Nós achamos que o Fed vai terminar o ciclo dele em 2,5%. Uma vez que o consenso de que a taxa de equilíbrio não é de 3% a 3,5%, mas de 2% a 2,5%, será relevante para todos os ativos de risco”, detalha.
Fonte: Valor Econômico
