O Itaú BBA reafirmou sua visão moderadamente construtiva para a Bolsa brasileira no segundo semestre de 2026, com alvo de 185 mil pontos para o Ibovespa. Em relatório de estratégia divulgado em 21 de julho, os analistas Daniel Gewehr, Matheus Marques e Raphael Matutani argumentam que o mercado local voltou a patamares de “deep value”, negociando a 8,3x lucro projetado — cerca de 18% de desconto ante a média histórica —, um nível que, na leitura do banco, já precifica de 60% a 70% de um cenário pessimista.
Pelo arcabouço de Total Return Rate (TRR), o Itaú BBA estima retorno anualizado de 22% mesmo sem expansão de múltiplos, sustentado por um carrego de 8,3% (7,0% de dividend yield mais 1,3% de recompras) e crescimento de lucros de 13,4% ao ano. A carteira recomendada tem potencial de retorno total de 36%, incluindo dividendos, e negocia a P/L de 10,4x, com PEG de 0,6x, dividend yield de 5,6% e ROE projetado de 19,9%.
Entre os cinco temas centrais, o banco destaca o papel do Brasil como um “diversificador” para investidores expostos ao trade de inteligência artificial nos emergentes. Com exposição a tecnologia praticamente nula no índice (0,0% no EWZ, contra 40,8% no EEM), o país tem correlação declinante com os pares — desde o pico da IA, em 22 de junho, o Brasil superou os emergentes em cerca de 14 pontos percentuais. O relatório aponta ainda que retirar as ações de tecnologia da Coreia e de Taiwan praticamente elimina todo o rali dos emergentes no ano.
No lado macro, a leitura é levemente negativa: o Itaú projeta a Selic em 14,00% ao fim de 2026 e 12,50% em 2027, mantendo os juros em território restritivo, com juro real de 10 anos em torno de 7,8% e dívida bruta caminhando para 82,8% do PIB. O posicionamento técnico é considerado neutro, com o Ibovespa próximo da zona de sobrevenda e a alocação da indústria local em ações de volta aos níveis de 2017. Os estrangeiros são compradores líquidos de R$ 36,1 bilhões no ano, enquanto os institucionais locais seguem vendedores, em R$ 38,7 bilhões.
A carteira mantém como maior sobrepeso o tema de infraestrutura e bond proxies, com IRRs reais de dois dígitos. As principais escolhas do banco são Equatorial, Axia, Multiplan, BTG Pactual, Direcional, Bradesco, Rede D’Or, Petrobras, Gerdau e Embraer. Foram incluídos Direcional, Allos, Panvel, Bradseguro [Bradsaúde] e Gerdau, com a saída de Banco do Brasil, Pague Menos, Randon, Suzano e Vivara.
Fonte: Itaú BBA — Brazil Equity Strategy, “2H26 Outlook: It’s a Long Way to the Top” (21 de julho de 2026).


