A economia dos Estados Unidos fechou 23 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola em julho, em um resultado muito abaixo das expectativas do mercado, que projetavam a criação de cerca de 80 mil postos. A taxa de desemprego ficou em 4,1%, com o número de pessoas sem trabalho em 6,9 milhões, segundo dados do payroll divulgados nesta sexta-feira, 7, pelo Bureau of Labor Statistics (BLS).
O resultado reforça a perda de ritmo do mercado de trabalho americano, que já vinha sendo indicada por outros indicadores. O relatório privado da ADP, empresa especializada em processamento de folhas de pagamento, havia mostrado a criação de apenas 44 mil vagas no setor privado em julho, abaixo da previsão de 70 mil postos.
A fraqueza apareceu também nas revisões dos meses anteriores, que reduziram ainda mais o ritmo de contratação observado no início do terceiro trimestre. O dado de maio foi revisado de 129 mil para 63 mil vagas, enquanto junho passou de 57 mil para 20 mil postos. No total, os ajustes retiraram 103 mil empregos das divulgações anteriores.
Mercado de trabalho perde força
O setor de educação do governo local foi um dos principais responsáveis pela queda do emprego em julho, com o fechamento de 50 mil vagas, após permanecer praticamente estável nos 12 meses anteriores.
O varejo também registrou redução de postos, com perda de 19 mil vagas no mês. A queda foi puxada principalmente por lojas de clubes de compras, supercentros e comerciantes em geral, que eliminaram 21 mil postos, além dos postos de gasolina, com recuo de 5 mil empregos.
O setor financeiro continuou em trajetória negativa, com redução de 14 mil vagas em julho, pressionado por cortes em intermediação de crédito e seguradoras. Desde o pico registrado em maio de 2025, o segmento já acumula perda de 121 mil empregos.
Na contramão, a saúde permaneceu como principal fonte de criação de vagas, com 22 mil novos postos, embora em ritmo mais lento do que a média de 36 mil empregos gerados nos últimos 12 meses. Os serviços de saúde ambulatorial responderam pela maior parte das contratações, com 18 mil vagas.
Outros setores importantes, como mineração, construção, manufatura, transporte, tecnologia da informação, serviços profissionais e lazer e hospitalidade, tiveram pouca alteração no mês.
Salários também desaceleram
O avanço dos salários também mostrou sinais de moderação. O ganho médio por hora chegou a US$ 37,62 em julho, alta de apenas dois centavos em relação a junho. Na comparação anual, os salários avançaram 3,2%.
Entre trabalhadores de produção e não supervisores do setor privado, o ganho médio ficou em US$ 32,40, aumento de 4 centavos no mês. A jornada média semanal permaneceu em 34,3 horas, enquanto a indústria manteve uma semana média de 40,4 horas, com redução nas horas extras.
O número de trabalhadores em afastamento temporário, sem perda definitiva do emprego, também chamou atenção. O grupo aumentou em 153 mil pessoas e chegou a 921 mil em julho.
A taxa de participação na força de trabalho ficou em 61,4%, enquanto a relação entre emprego e população caiu para 58,9%. Desde janeiro, os dois indicadores acumulam quedas de 0,7 ponto percentual e 0,5 ponto percentual, respectivamente.
Payroll muda apostas do Fed
O relatório chega em um momento importante para a política monetária dos EUA. O Federal Reserve (Fed) manteve os juros na faixa entre 3,50% e 3,75% na última reunião, mas o mercado vinha monitorando os próximos passos do banco central diante da combinação entre inflação ainda resistente e sinais de desaceleração econômica.
Antes da divulgação do payroll, investidores estimavam em cerca de 67% a chance de uma nova alta de juros, segundo nota da GTF Capital Research. Com um mercado de trabalho mais fraco do que o esperado, essa probabilidade tende a perder força e pode abrir espaço para uma postura mais cautelosa do Fed.
O resultado também pode afetar os mercados brasileiros. Um payroll abaixo das expectativas tende a aliviar a pressão sobre o dólar e sobre os juros longos americanos, cenário que pode favorecer ativos domésticos após o Copom reduzir a Selic para 14%, acrescentou a instituição.
Por outro lado, um mercado de trabalho mais aquecido poderia reforçar a necessidade de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos, pressionando moedas emergentes e a curva de juros local, cenário que não se confirmou com os dados de julho.
Fonte: Exame


