Walter Maciel, CEO da AZ Quest, prevê um recorde de empresas em recuperação judicial em 2026 devido aos juros altos. Em painel da XP Expert, ele e Daniel Dupont, gestor do Kapitalo NW3 Plus, criticaram o quadro fiscal do Brasil e medidas populistas que aumentam o endividamento. Dupont destacou o crescimento da dívida em relação ao PIB e a necessidade de um ajuste fiscal. Maciel apontou a falta de capacidade política para implementar soluções fiscais, alertando para riscos de dominância fiscal sem ajustes adequados.
Walter Maciel (CEO AZ Quest), Bruno Marques (Gestor de Fundos Multimercado XP Asset), Daniel Dupont (Gestor, Kapitalo NW3 Plus) e Felipe Manfredini (Responsável por Parceria de Fundos de Investimento XP) Foto: Paulo Bareta/ XP/ Divulgação
Walter Maciel, CEO da gestora de fundos AZ Quest, acredita em um novo recorde de empresas em recuperação judicial neste ano em função do período prolongado de juros elevados. “O recorde foi quebrado em 2024 e 2025, e 2026 promete uma nova marca negativa de companhias em crise”, disse em painel da XP Expert.
Maciel e Daniel Dupont, gestor do fundo Kapitalo NW3 Plus, fizeram críticas ao quadro fiscal do Brasil e ao uso de medidas populistas do governo federal, que aumentam o endividamento e mantêm os juros elevados no país, o que colabora para deixar as empresas pressionadas.
Para Dupont, a dívida bruta em relação ao PIB cresceu cerca de 10% no primeiro semestre, evidenciando a deterioração das contas públicas. “Toda medida populista é boa durante um tempo apenas. Não há ajuste fácil para fazer. Precisamos de um ajuste primário de 3,5% a 4% do PIB para estabilizar a dívida. Não vemos uma solução fácil. Por isso, estamos mais táticos”, afirmou.
Maciel reforça a visão de que as medidas populistas têm efeitos temporários apontando que cerca de 80% das famílias estão endividadas. “As medidas têm seis meses de efeitos bons e depois pioram o endividamento”, afirmou.
Para Maciel, a solução fiscal existe, mas falta capacidade política para implementá-la. “Solução tem. O que não é fácil é colocar alguém que faça”, declarou.
“Já fizemos cinco vezes o experimento com o PT. Bolsonaro era aleijado politicamente e perdeu por pouco. Se tivesse um nome de centro, ganhava por 10 pontos. Mas mesmo um candidato quase aleijado politicamente ainda tem chance de vencer”, declarou.
Na avaliação do CEO da AZ Quest, um eventual governo comprometido com a agenda fiscal poderia colher resultados em cerca de um ano. “Ou vai ter ajuste fiscal no amor, ou na porrada. Quem não fizer isso vai levar o país flertar com a dominância fiscal”, afirmou.
Fonte: E-Investidor


