Por Larissa Garcia, Valor — Brasília
05/09/2023 12h56 Atualizado há 19 horas
A diretora de assuntos internacionais do Banco Central (BC), Fernanda Guardado, afirmou há pouco que ainda há incertezas no horizonte da política monetária e na inflação global. A diretora elencou entre os riscos altistas para a inflação brasileira a maior persistência inflacionária, juros globais mais altos, commodities, transição energética e fragmentação geopolítica. Entre os riscos de baixa, ela destacou desaceleração mais forte no crédito, instabilidade financeira, apertos excessivos dos bancos centrais e deflação na China.
“O que a gente tem cortado das nossas listas de risco? De recessão muito forte nos EUA e persistência longa de covid na China. É fato que estamos caminhando para crescimento global mais baixo para 2023, 2024 e à frente”, disse em evento da Bradesco Asset Management. “
Olhando para países emergentes e avançados, o crescimento é substancialmente abaixo das últimas décadas. É um mundo que vai crescer um pouco menos e tem relação com o esforço que tem sido feito para controlar a inflação global”, complementou.
Guardado ressaltou que em grande parte dos países a convergência da inflação para as metas “tem ficado” para 2024 ou até 2025. “O risco de desaceleração mais forte na China está se materializando”, destacou. Para ela, o fim da política de covid-19 zero na China não se revelou um “boost” de crescimento tão forte como em outras economias.
Segundo a diretora, outro desafio que ganhou relevância nas últimas semanas é o cenário fiscal nos Estados Unidos. “Os déficits fiscais nos EUA se mostram maiores que o esperado”, pontuou. Ela citou um debate sobre o efeito do fiscal na taxa neutra de juros dos EUA.
“É possível que parte desse aumento seja conjuntural, mas que tem uma questão estrutural também em relação ao longo prazo fiscal nos EUA. Estados Unidos não são o único pais que tem desafios fiscais”, ressaltou.
Fonte: Valor Econômico


