Apesar da debandada de R$ 54 bilhões dos fundos de ações em 2025, a maior saída da história da categoria, alguns conseguiram entregar retornos maiores que o dobro do Ibovespa nesse intervalo. E olha que o principal índice da bolsa não subiu pouco. Avançou 34% no ano. Um retorno e tanto, mas que fica no chinelo comparado ao dobro de valorização de representantes do segmento.
Vários dos melhores fundos de ações do ano compraram especialmente papéis de construtoras e de empresas de energia e seguem investidos nessas ações. A ideia é investir em empresas que se beneficiam com os cortes de juros que estão por vir, mas ao mesmo tempo proteger a carteira do cenário volátil que é esperado com a eleição no Brasil.
Fundos da Stoxos e do Banco do Brasil alcançaram impressionantes remunerações de mais de 70% em 2025. Um fundo da Alaska atingiu 68%; e um da Absoluto, 58%.
Fundos de ações mais rentáveis de 2025
| Fundo de ações | Retorno em 2025, em % | Retorno em 2024, em % | Risco | Patrimônio líquido, em R$ | Número de cotistas |
| Stoxos FIA | 70,16 | -12,71 | 24 | 109 milhões | 1,4 mil |
| BB Construção Civil | 70,13 | -26,00 | 26 | 152 milhões | 9,8 mil |
| Alaska Black II BDR Nível I | 67,87 | -57,09 | 42 | 1334 milhões | 12,5 mil |
| Absoluto FIC FIA | 57,68 | -19,67 | 22 | 126 milhões | 435 |
| BB Energia | 56,66 | -16,62 | 15 | 179 milhões | 6,9 mil |
| SPX Patriot | 56,13 | -9,39 | 15 | 225 milhões | 1,8 mil |
| 3R Radix | 54,82 | -13,55 | 17 | 159 milhões | 282 |
| XP Investor 30 | 51,33 | -20,88 | 18 | 413 milhões | 5,4 mil |
| XP Investor Dividendos | 51,25 | -14,05 | 17 | 436 milhões | 5 mil |
| AlphaKey Ações | 49,97 | -0,30 | 16 | 170 milhões | 664 |
Fonte: Estudo elaborado por Marcelo d’Agosto, consultor financeiro responsável pelo Guia de Fundos do Valor e blogueiro do Valor Investe, com base em dados da plataforma Morningstar
- Esses fundos de ações lideraram o ranking dos mais rentáveis em 2025 entre os acompanhados pelo Guia de Fundos do Valor. O levantamento foi realizado por Marcelo d’Agosto, consultor financeiro responsável pela ferramenta, com base em dados da plataforma Morningstar. Mais abaixo, dá para entender a metodologia do ranking tim-tim por tim-tim e por que nem todos os produtos do mercado aparecem nessa lista.
- Embora o ranking se refira ao último ano, não significa necessariamente que esses são os melhores fundos para investir neste momento. Os especialistas aconselham analisar três anos, no mínimo, de remuneração e a qualidade da gestora antes de escolher onde investir. Esse ranking, portanto, é meramente informativo e não é uma indicação.
- Os fundos de ações são uma forma mais prática e diversificada de acessar a bolsa, delegando a escolha para gestores, porém com um custo mais alto. Eles são aconselhados para quem busca rendimento por prazo de no mínimo cinco anos. Por outro lado, a classe oferece riscos maiores em comparação aos investimentos de renda fixa, que estão bastante atrativos com elevados juros neste momento.
Construtoras e empresas de energia entre as preferidas
Um dos fundos do Banco do Brasil que chamou a atenção compra majoritariamente papéis de shoppings e construtoras. As ações que mais ajudaram no desempenho do fundo em 2025 foram Tenda, Moura Dubeux, Lavvi, JHSF, e Cury.
Tanto os shoppings quanto as construtoras se beneficiam com a expectativa de redução da taxa Selic, a referência para os juros da economia. Atualmente em 15% ao ano, os juros possivelmente recuarão para 12,25% ao ano até o fim de 2025, segundo a projeção dos economistas do Boletim Focus. Isso tende a também reduzir os juros dos empréstimos e dos financiamentos imobiliários, o que incentiva o aumento do consumo nos shoppings e também a compra da casa própria.
Apesar do aumento nos preços, as ações das construtoras e dos shoppings podem continuar entregando remunerações muito altas neste ano, na análise de Guilherme Novaes, executivo de fundos multimercado e ações da BB Asset.
“As ações das construtoras e dos shoppings são sensíveis às reduções de juros durante o ciclo de cortes inteiro. Quando o Ibovespa anda bem, os papéis vão melhor que o indicador. Mas quando o Ibovespa anda mal, os papéis vão pior que o índice”, afirma. “Acreditamos que as ações das construtoras e dos shoppings vão ter retorno maior que o Ibovespa neste ano. Apesar da alta expressiva, não vejo preços irracionais.”
Outro fundo do Banco do Brasil também se destacou comprando ações de energia, especialmente Axia (antiga Eletrobras), Copel, CPFL, Eneva e Neoenergia. O objetivo do produto é superar o Índice de Energia Elétrica (IEE) da B3, que disparou 61% em 2025, quase o dobro do Ibovespa.
As companhias de energia são populares por terem receita previsível e as suas ações são conhecidas como investimentos mais seguros. Porém, a alta atípica nos preços do setor ajudou as empresas do segmento e levou as ações a se destacarem mais que o normal em 2025, o que não está previsto para 2026.
“Neste ano, enxergamos essa estratégia muito mais defensiva, mas ainda é favorável ter esses papéis na carteira. Não sabemos o que virá com a eleição, será um ano de bolsa muito volátil, e as ações de energia são resilientes”, afirma.
O fundo Rio Bravo Radix (antigo 3R Radix) acertou com uma carteira focada no longo prazo, com ações baratas de companhias negligenciadas pelo mercado, mas que devem entregar gradualmente melhores resultados. Nesse fundo, a análise das empresas é mais relevante do que a análise do cenário macroeconômico.
A casa não abre as ações, mas, no ano passado, os setores que mais ajudaram no desempenho do fundo também foram construção e serviços de utilidade pública como energia. Além disso, uma concessionária de rodovia e uma varejista também contribuíram bastante. As empresas todas seguem na carteira.
“As ações das companhias de construção voltadas para a baixa renda, que se beneficiam com o Minha Casa, Minha vida, têm muito espaço ainda para avançarem na bolsa. É só escolher bem a localidade dos projetos que vai vender os imóveis”, afirma Rodrigo Boselli, gestor de renda variável da Rio Bravo. “E algumas companhias de serviços de utilidade pública estão sendo muito bem geridas. Principalmente uma recém privatizada pode crescer bastante”, diz.
Eleição: oportunidade de investir ou hora de cautela?
Na análise de Boselli, a volatilidade já esperada para a bolsa neste ano devido à eleição pode trazer oportunidade de compra de ações baratas.
“Estou preocupado com o problema fiscal e acho que a eleição vai ser definitiva para encaminharmos essa questão, mas está difícil de saber o que será do país. Caso o governo Lula seja reeleito, não sabemos como vai ser encarado o desafio das contas. Ainda há muita incerteza, desconhecemos os candidatos”, afirma. “O que sabemos é que os preços das ações ainda estão baratos, que a bolsa está subindo com a ajuda dos estrangeiros e que a expectativa é que os juros passem a recuar, o que é atrativo para a bolsa.”
O fundo vencedor da XP em 2025 se deu bem sem correr muito risco. As companhias que fizeram o fundo andar foram principalmente de energia elétrica (Eletrobras e Eneva, especialmente) e bancos (Itaú, principalmente), além da Cogna, de educação, que foi a estrela da carteira no ano.
“Acabamos o ano de 2024 melancólicos, ninguém imaginava que a bolsa fosse ter uma performance boa como foi. O nosso grande acerto foi não ter feito nada no momento de melancolia”, afirma Marcos Peixoto, gestor de renda variável da XP Asset. “O aprendizado que ficou é que não precisa correr muito risco para ter uma boa carteira.”
As ações continuam mais ou menos as mesmas no portfólio do fundo. Contudo, agora que o Ibovespa já subiu, é hora de ser mais seletivo ainda na escolha dos papéis, na análise do gestor.
“Não dá para comprar qualquer coisa, porque nem tudo está barato. O momento é positivo para a renda variável com o banco central dos Estados Unidos reduzindo juros, mas o ano deve ser volátil com a eleição no Brasil”, afirma.
Fundos long biased
Poucos fundos de ações com a estratégia long biased deram remunerações maiores que o Ibovespa no ano passado. Os gestores desses fundos apostam não apenas na alta das ações, mas também na baixa em cenários determinados. É uma estratégia para minimizar os recuos em ambientes de baixa da bolsa, mas o cenário não era esse.
Porém, um pequeno grupo se destacou bastante. Um fundo da gestora Pátria rendeu 57% em 2025, enquanto um produto da XP rendeu 53% e um da Ibiuna, 51%.
Fundos long biased mais rentáveis de 2025
| Fundo long biased | Retorno em 2025, em % | Retorno em 2024, em % | Risco | Patrimônio líquido, em R$ | Número de cotistas |
| Pátria Lux Long Biased | 57,36 | -1,29 | 15 | 105 milhões | 2 mil |
| XP Investor Long Biased 30 | 53,07 | -24,99 | 19 | 127 milhões | 2,8 mil |
| Ibiuna Long Biased | 51,35 | -9,14 | 17 | 172 milhões | 4,1 mil |
| Norte Long Bias | 49,27 | -13,64 | 14 | 85 milhões | 260 |
| Sharp Long Biased | 38,45 | -16,69 | 18 | 178 milhões | 175 |
| Absolute Pace Long Biased | 38,31 | -4,75 | 15 | 1,5 bilhão | 6,2 mil |
| Encore Long Bias | 37,09 | -13,40 | 25 | 70,6 milhões | 2,7 mil |
| CSHG Top Long Bias | 36,20 | -8,80 | 12 | 224 milhões | 304 |
| VIC Long Biased | 33,74 | -10,18 | 11 | 253 milhões | 303 |
| Dao Multifactor Long Biased | 33,51 | -3,08 | 9 | 99,7 milhões | 849 |
Fonte: Estudo elaborado por Marcelo d’Agosto, consultor financeiro responsável pelo Guia de Fundos do Valor e blogueiro do Valor Investe, com base em dados da plataforma Morningstar
Metodologia dos rankings
Os fundos de ações do ranking têm patrimônio líquido de no mínimo R$ 100 milhões e pelo menos 100 cotistas, enquanto os fundos long biased têm patrimônio líquido de no mínimo R$ 50 milhões e pelo menos 100 cotistas.
Os fundos que integram as duas listas desta matéria estavam necessariamente na última edição do “Guia de Fundos do Valor”. O guia lista 2.024 fundos com três anos de histórico, no mínimo, e que estavam acessíveis aos investidores em geral em corretoras e bancos. A ferramenta agrupa as carteiras em categorias que possuem um significado prático para o investidor diversificar as suas aplicações.
Os produtos são organizados em 16 categorias: renda fixa DI, prefixados renda fixa ativo, juro real, crédito privado com até 15 dias para o resgate, crédito privado a partir de 16 dias para resgate, debênture incentivada, multimercado baixa volatilidade, multimercado, long & short, long biased, ações índices, ações, investimento no exterior, ações no exterior, alocação multimercado e alocação ações.
Os fundos de ações e long biased dos rankings desta matéria foram agrupados nessas categorias no “Guia de Fundos do Valor”. Alguns fundos podem não estar nesses rankings porque não participaram do guia — seja porque tinham menos de três anos ou porque não estavam acessíveis aos investidores em geral em corretoras em bancos. Ainda, alguns fundos podem não estar nesses rankings porque foram agrupados em outra categoria do guia.
Como escolher fundos de investimentos
Fundos de ações continuam indicados para diversificar a carteira e ganhar mais que o Ibovespa, focando em no mínimo cinco anos. O conselho dos especialistas para escolher os produtos que conseguem entregar rendimentos altos e consistentes ao longo do tempo é analisar como o fundo se comportou durante diferentes momentos no passado e onde os profissionais trabalharam.
Casas com mais idade e volume de recursos sob gestão, acima de alguns bilhões, contam com mais confiança do mercado. Além disso, é um bom indicativo se a gestora possui um grande número de pessoas e se elas trabalham lá desde o começo.
Alguns produtos correm mais riscos e, por isso, tendem a ser mais voláteis, mas às vezes as gestoras têm fundos parecidos que correm menos riscos e tendem a ser menos voláteis. É aconselhado escolher os que mais combinam com o perfil e objetivos do investidor.
Fonte: Valor Investe


