O J.P. Morgan vê alta de 12% a 20% na bolsa brasileira no curto prazo e elevou de neutra para “overweight” a classificação do Brasil, projetando que o país pode apresentar o maior potencial de alta em toda a América Latina.
A mudança considera o novo cenário político desenhado ontem, com o candidato Flávio Bolsonaro (PL) despontando como o favorito para levar o segundo turno das eleições, a ser realizado no dia 25. “É difícil ignorar o impacto nos mercados”, escreve o time de analistas do banco americano em relatório publicado nesta segunda-feira.
O J.P. Morgan argumenta que a tendência desenhada ontem pode levar à valorização do real, o que abriria caminho para cortes mais rápidos da Selic, e à reprecificação do mercado diante da possibilidade de uma política econômica mais amigável do ponto de vista fiscal. O banco vê o múltiplo preço sobre lucro projetado do Brasil indo dos atuais 8,9x para 10,9x com a redução de risco — e até 13x caso haja reformas estruturais e cenário externo favorável.
Sob uma eventual nova administração, o Citi vê grande probabilidade de queda do dólar e dos juros. O cenário favorece empresas alavancadas e prejudica exportadoras. Em óleo e gás, a Petrobras seria a maior beneficiada, com combustíveis vendidos mais perto da paridade internacional. Em mineração, a principal beneficiada é a CSN, que tem a dívida aliviada com juros menores. Já em papel e celulose, Irani e Klabin, mais expostas ao mercado doméstico, ganham força frente à Suzano.
No varejo, as empresas brasileiras do setor mais sensíveis aos juros, como Magazine Luiza, Assaí e Azzas, podem apresentar melhor desempenho. No cenário em que a Selic média de 2027 fica 200 pontos-base abaixo da projeção do banco, o lucro líquido da Magalu teria maior alta percentual, subindo 51%, para R$ 541,4 milhões. O do Assaí avança 20%, para R$ 1 bilhão, enquanto o da Azzas sobe 8%, para R$ 477,5 milhões.
Mesmo sem depender de juros menores, algumas ações do varejo seguem baratas na avaliação do Citi. Entre as companhias menos sensíveis à Selic, como Renner, Vivara, C&A e Riachuelo, os papéis negociam em até cerca de 9 vezes o lucro projetado pelo banco para 2027, a preços atuais, múltiplo que o Citi considera atrativo mesmo após a alta recente.
Fonte: Valor Econômico

