O IFIX também surfou o otimismo dos mercados após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, mas com menos força do que outros ativos financeiros. No pregão desta segunda-feira (5), o índice de referência dos fundos imobiliários fechou em alta de 1,34%, enquanto o Ibovespa saltou 7,7%.
A diferença de desempenho está relacionada, em parte, à menor volatilidade dos fundos imobiliários em comparação com as ações. Segundo Danny Gampel, head de crédito da Cy Capital, a composição dos FIIs ajuda a explicar por que a reação do IFIX costuma ser mais contida.
“Dentro dos fundos de crédito, por exemplo, você tem contratos de dívida, como os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), que são instrumentos de renda fixa e, em geral, de longo prazo. Então, já existe uma previsibilidade muito grande. Além disso, nos fundos de tijolo, há contratos de locação longos, que também garantem uma previsibilidade de receita. A Bolsa, por outro lado, está atrelada à renda variável”, explica Gampel.
Apesar da alta mais moderada, os fundos imobiliários também se beneficiaram do movimento de queda dos juros futuros nesta segunda. Ao longo da sessão, as taxas chegaram a recuar mais de 8% nos vencimentos intermediários e longos.
Os fundos imobiliários são investimentos isentos de imposto de renda (IR) (Foto: Envato Elements)
Entre os títulos públicos, o Tesouro IPCA+ 2032, o Tesouro IPCA+ 2040 e o Tesouro IPCA+ 2050 passaram a oferecer retornos reais de 7%, 6,68% e 6,59%, respectivamente. Na sexta-feira (2), as taxas eram de 7,66%, 7,25% e 7,08%.
Já o Tesouro Prefixado 2029 e o Tesouro Prefixado 2032 pagavam taxas de 12,62% e 12,81%, abaixo dos 13,84% e 14,21% registrados na última sessão.
Para Isabella Almeida, gestora de fundos imobiliários da Rio Bravo Investimentos, o movimento indica uma mudança na percepção dos investidores sobre a condução das contas públicas.
“O mercado passou a enxergar uma maior possibilidade de mudança na condução das contas públicas. Isso tem se refletido no fechamento da curva de juros futura. A queda do juro futuro tende a beneficiar a performance dos FIIs, uma vez que há um aumento do prêmio de risco para se investir na classe”, afirma.
O movimento ocorreu após a apuração das urnas no domingo (4), quando o senador Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, por uma diferença de quase 2 pontos porcentuais. Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula.
Além disso, o PL se consolidou como o maior partido do Senado, com 19 parlamentares eleitos. A bancada da legenda chegará a 28 senadores a partir de fevereiro, ante 15 atualmente.
Fonte: Estadão

