Por Eduardo Magossi — De São Paulo
05/07/2022 05h02 Atualizado há 4 horas
Os Estados Unidos deverão enfrentar uma recessão moderada e breve ainda em 2022, com pouco impacto na atividade econômica como um todo, o que deve fazer com que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) eleve menos os juros do que o mercado está precificando atualmente. Este é o cenário base elaborado pelo economista Francisco Nobre e pelo estrategista Alberto Bernal, da XP Investimentos, em relatório a ser enviado para clientes nos próximos dias.
O cenário mais otimista do que o de outros bancos de investimento ainda prevê que a economia americana volte a crescer já a partir do terceiro trimestre e que o impacto da recessão dos EUA no PIB do Brasil será limitado.
Segundo Nobre, os dados de PIB e atividade industrial dos EUA divulgados na semana passada já mostram um esfriamento. O PIB ficou em -1,6% no primeiro trimestre, pior que as duas prévias, o que mostra, segundo ele, que a economia está desacelerando. Além disso, a atividade industrial medida pelo indicador PMI mensal vem caindo e já se encontra perto do terreno contracionista. O relatório destaca a revisão, no PIB do primeiro trimestre, do crescimento do consumo privado, de 3,1% para 1,8%, uma desaceleração mais forte do que a esperada. Para o segundo trimestre, a XP prevê que o PIB americano fique negativo em 0,9%.
O esfriamento mais rápido que o esperado da economia tira pressão do Fed para elevar os juros de forma rápida a um nível acima de 3%, diz o relatório. A expectativa dos economistas da XP é que o juro será de 3% no fim do ciclo de alta – e não até 4,5%, como precificado no mercado -, que deve ser atingido já em novembro. Nobre e Bernal não acreditam em nova alta de 0,75 ponto percentual na reunião de julho do Fed. A expectativa é de duas altas de 0,50 ponto em julho e setembro e uma final de 0,25 ponto em novembro, atingindo os 3%. O banco trabalha com PIB final de 1,6% em 2022 e de 1,52% em 2023. Já a inflação deve cair de atuais 8,6% para 6% no fim de 2022 e 3% em 2023. “A desaceleração econômica em andamento vai derrubar mais a inflação neste segundo semestre”, disse Nobre ao Valor. Segundo ele, apesar da queda da inflação, os juros devem se manter em torno de 3% por todo o próximo ano, com o Fed devendo começar a cortar a taxa só no fim de 2023.
O impacto da desaceleração americana na bolsa não deve ser expressivo, segundo os economistas. A XP segue otimista sobre o lucro das empresas, com projeção de avanço de 10% no ano. “A inflação alta, preços de energia elevados e o consumo privado ainda resiliente devem dar suporte à lucratividade corporativa”, diz o relatório. O banco projeta que o índice S&P 500 feche o ano em torno de 4.300 pontos, queda de 10% em relação ao ano anterior, mas 13% acima do fechamento de sexta-feira. “Por outro lado, se o Fed tiver que adotar um posicionamento mais contracionista, juros ainda mais altos levariam a uma deterioração adicional da bolsa dos EUA”, alertam.
Sobre o Brasil, eles projetam que o câmbio deve fechar 2022 perto de R$ 5, mas, se as condições financeiras ficarem ainda mais apertadas nos EUA, a moeda tende a encarecer. Em termos de política monetária, é improvável que as condições econômicas nos EUA levem a juros mais altos no Brasil, avaliam.
Fonte: Valor Econômico
