Por Eduardo Magossi, Valor — São Paulo
20/03/2023 17h01 Atualizado há 16 horas
Embora ainda seja cedo para dizer se a compra do Credit Suisse pelo UBS vai restaurar a confiança do mercado, o atual cenário é bem diferente daquele que precedeu a crise financeira de 2008, avalia o chefe de investimentos do banco suíço Lombardier Odier, Stéphane Monier.
Segundo ele, os bancos têm maior proteção de capital – principalmente os grandes, onde as exigências de capital foram elevadas de forma significativa depois da crise de 2008. “Os bancos reduziram sua exposição a ativos imobiliários com hipoteca subprime. A regulação foi reforçada e as autoridades reguladoras aprenderam que decisões têm que ser tomadas de forma rápida e decisiva”, afirmou ele, em relatório enviado a clientes nessa segunda-feira (20).
Monier cita que os bancos centrais agiram rapidamente para evitar o stress financeiro e dar liquidez global aos bancos. “Há 15 anos, e depois durante a crise da dívida soberana da Europa, os reguladores impuseram reduções nos ativos de bancos que buscavam acesso aos pacotes de resgate”, lembra. Outra diferença importante apontada pelo economista é que indicadores de crises, como as condições de empréstimo interbancário, continuam saudáveis.
“No geral, os bancos parecem estar mais capitalizados do que antes da crise financeira global de 2008. E ao reduzir o crescimento dos empréstimos, a atividade econômica será impactada, com um potencial efeito desinflacionário”, afirma.
Porém, Monier alerta que ainda é muito cedo para dizer quais serão as implicações do colapso do Silicon Valley Bank (SVB) – rápido, impulsionado por redes sociais e capacidade de transferir depósitos entre bancos on-line em segundos – para os bancos e para a economia americana em geral.
“Muitos clientes estão transferindo recursos de bancos pequenos para a potencial segurança de bancos maiores. Bancos pequenos e médios vão ter que oferecer juros mais elevados para reter depositantes. Além disso, os eventos recentes indicam que as exigências de capital válidas hoje para grandes bancos potencialmente serão estendidas para todos os bancos americanos. Nada disso vai melhorar a lucratividade das instituições”, informa.
Segundo ele, com o impacto na lucratividade, os bancos devem ser mais seletivos na concessão de financiamentos, apertando ainda mais as condições de crédito, aumentando a desaceleração nos empréstimos corporativos e das famílias, o que pode ser impacto desinflacionário.
Porém, a continuidade do aperto das condições financeiras pode reduzir mais a liquidez e amplificar vulnerabilidades ainda não identificadas em vários setores. “Para reduzir essas preocupações, o Federal Reserve em conjunto com outros bancos centrais como o Banco Central Europeu, Banco Nacional da Suíça, Banco da Inglaterra, Banco do Japão e o Banco do Canadá anunciaram uma ação coordenada para impulsionar a liquidez global”.
Monier projeta que o S&P 500 deve terminar o ano de 2023 em torno dos níveis atuais de 3.900 pontos. Porém, com o aumento dos riscos de recessão, a probabilidade de uma queda para 3.200 pontos aumentou, disse.
Fonte: Valor Econômico


