A resiliência da atividade econômica brasileira continua sendo o principal freio para cortes mais agressivos na taxa básica de juros. Esta é a visão de Fabiano Zimmermann, chefe de renda fixa do ASA, que projeta a Selic próxima de 11% no final do ciclo de cortes.
No entanto, embora o cenário ainda favoreça um rali para os títulos prefixados, ele alerta que os ganhos extraordinários registrados em 2025 dificilmente se repetirão na mesma magnitude.
Segundo Zimmermann, as oportunidades nos prefixados não vão desaparecer, mas mudarão de perfil.
Ele aponta que a rentabilidade vista no ano passado foi fruto de um ciclo monetário vivido pelo Brasil ao longo de 2024 e no início de 2025, com disparada nas taxas de juros futuras, reflexo das incertezas fiscais, inflação ainda resistente e prêmios de risco mais elevados exigidos pelo mercado, e que, ao longo do primeiro semestre de 2025, parte dessas incertezas foi sendo gradualmente dissipada.
Porém, para 2026, a tendência é que esse nível excepcional de rentabilidade não se repita com a mesma magnitude. Caso o cenário-base de inflação controlada e política monetária mais previsível se confirme, “os juros futuros devem permanecer em patamares mais baixos e estáveis”. Mas ele ressalta: isso abre espaço para “ganhos consistentes diante de novos choques de risco ou reprecificações fiscais“, pontua Zimmermann.
“Ainda podem surgir oportunidades nos títulos prefixados, especialmente diante de novos choques de risco ou de uma reprecificação das expectativas fiscais, mas os retornos tendem a ficar mais próximos do juro contratado, e não de ganhos extraordinários como os observados em 2025″, diz Zimmermann, e acrescenta que “isso reduz o potencial de ganhos via marcação a mercado”.
Fonte: Valor Investe


