Adesão de empresas de saúde à agenda ESG tem avançado nos últimos anos, até pela necessidade de atender às parcelas da população mais afetadas pela pandemia de covid-19 – e pelo olhar cada vez mais atento da sociedade
Por Valor
30/06/2022 06h54 Atualizado há 3 horas
Por lidar diretamente com vidas humanas, a prestação de serviços de saúde – em todas as suas áreas de atuação, do desenvolvimento de novos medicamentos à internação hospitalar – sempre esteve sujeita a um controle maior por parte dos órgãos oficiais. “Essa condição de atividade regulada obrigou o setor de saúde a adotar medidas responsáveis de governança antes mesmo que elas passassem a ser exigidas pela sociedade civil”, diz o especialista em gestão de risco Peterson Ruiz, do escritório de auditoria Crowe Macro.
De acordo com Ruiz, isso deu ao setor de saúde uma pequena vantagem em relação a outras áreas da economia no cumprimento de boas práticas ambientais, sociais e corporativas, representadas pela sigla ESG (governança ambiental, social e corporativa, na sigla em inglês). “As empresas de saúde com capital aberto, por exemplo, já fazem relatórios de sustentabilidade há anos, o que a CVM [Comissão de Valores Mobiliários] só foi tornar obrigatório a partir de 2021. Estão um pouco mais adiantadas, mas precisam continuar avançando. A diversidade de gêneros que muitas delas ostentam no quadro de colaboradores, por exemplo, raramente é encontrada no alto escalão.”
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2022/1/h/8UL41DTeOhyXrcbcDuBw/esg-hospital-pacaembu-cred-edilson-20dantas-o-globo.jpg)
Hospital de campanha do Pacaembu (SP): iniciativa do Einstein na pandemia — Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo
De modo geral, porém, a adesão de empresas de saúde à agenda ESG tem avançado nos últimos anos, até pela necessidade de atender as parcelas da população mais afetadas pela pandemia de covid-19 – e pelo olhar cada vez mais atento da sociedade. “Mais do que obedecer a regulamentações, as empresas de saúde estão incorporando boas práticas, porque as comunidades estão mais conscientes e cobram isso delas”, resume Bruno Porto, sócio e líder de saúde da consultoria PwC Brasil.
Em recente estudo sobre as iniciativas ESG de 45 operadoras de saúde e 32 empresas farmacêuticas atuantes no Brasil, a PwC indica que todas têm amplas oportunidades de se diferenciar no mercado com a divulgação das boas práticas e, com isso, “construir confiança na relação com as comunidades que atendem e com os investidores, doadores e outros stakeholders”. Trocando em miúdos, não há ação de marketing mais eficiente para essas empresas do que investir em iniciativas ambientais, sociais e de governança responsável – e divulgá-las tanto quanto possível.
A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), que reúne 131 dos maiores hospitais brasileiros, se esmerou nessa divulgação ao publicar em março um extenso relatório detalhando 193 programas de ESG realizados por seus associados desde o início da pandemia. As iniciativas estão divididas em 17 temáticas diferentes, como combate à fome, economia de energia, consumo responsável e ações contra o aquecimento global, entre outras, que envolveram um investimento total de R$ 119,6 milhões.
Há um pouco de tudo no relatório da Anahp, como a ação do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, que junto com a prefeitura paulistana instalou um hospital de campanha, no Estádio do Pacaembu, com 200 leitos, que atendeu 1,5 mil pacientes de covid-19 entre abril e junho de 2020; a do Sírio Libanês, também de São Paulo, que contratou 40 costureiras para a confecção de 31 mil aventais distribuídos a profissionais de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS); e a do Hospital Nossa Senhora das Graças, de Curitiba, que plantou mil árvores à beira do rio Iguaçu, em junho de 2021, quando deu alta ao seu milésimo paciente recuperado da infecção pelo novo coronavírus. “Esperamos que estes bons exemplos não apenas inspirem, mas ajudem a mostrar que não é preciso muito para começar”, escreveu Eduardo Amaro.
Fonte: Valor Econômico