Bloomberg — Investidores devem ser mais seletivos com ações brasileiras, visto que o crescimento econômico deve arrefecer e o país caminha para uma eleição presidencial polarizada, de acordo com a XP.
Uma das maiores corretoras do Brasil, ela está de olho em empresas de serviços públicos com fluxos de caixa previsíveis e em ações do setor financeiro, segundo Raphael Figueredo, estrategista sênior de ações da XP.
A corretora também favorece construtoras residenciais, como a Cury e a Direcional, que se beneficiam de programas habitacionais subsidiados pelo governo para famílias de baixa renda.
“Ter exposição a ações continua sendo importante. Mas isso não significa comprar ações do Ibovespa indiscriminadamente”, disse Figueiredo. “Precisamos ser seletivos.”
Essa abordagem tornou-se ainda mais importante após o principal índice de ações do Brasil registrar a oitava semana consecutiva de perdas, sua maior sequência negativa desde pelo menos 1989. A XP também vê oportunidades em empresas com capacidade de manter o pagamento de dividendos mesmo com os custos de financiamento elevados.
Uma das previsões mais enfáticas da XP é que a economia brasileira deve desacelerar acentuadamente no próximo ano, à medida que os motores do crescimento recente começam a perder força.
O Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer cerca de 1,2% no próximo ano, ante 2% neste ano, devido às altas taxas de juros e ao enfraquecimento do estímulo fiscal.
Se essa desaceleração criará espaço para cortes nas taxas de juros dependerá dos sinais fiscais enviados pelo governo que assumir o poder após as eleições.
“Esse processo pode ser mais intenso, se não for conduzido de forma ordenada, juntamente com um ajuste fiscal, que criaria espaço para o Banco Central cortar as taxas de juros”, disse Caio Megale, economista-chefe da XP, que tinha R$ 1,5 trilhão (US$ 292 bilhões) em ativos sob gestão no final de março.
Se a desaceleração for desordenada, sem sinais fiscais claros, “poderíamos ver desvalorização da moeda e inflação mais persistente”, acrescentou.
Fonte: Bloomberg Línea