Por Nikkei Asia — Xangai
24/05/2023 09h41 Atualizado há 58 minutos
China e Rússia devem intensificar a relação a um “nível ainda mais alto”, disse o presidente chinês, Xi Jinping, nesta quarta-feira (24) durante encontro com o primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin. A fala acontece dias depois que o G7 decidiu aplicar mais sanções à Rússia devido à invasão da Ucrânia.
Durante o encontro de Xi com Mishustin foram anunciados uma série de novos acordos comerciais e de investimento com a China, em um momento em que Moscou sente os impactos das sanções ocidentais motivadas pela invasão da Ucrânia.
Segundo a emissora estatal chinesa “CCTV”, Xi disse que “espera que ambos os países continuem a aproveitar a forte cooperação, perspectivas e impulso para avançar em vários campos e levá-lo a um nível mais alto”.
Os dois países, que disseram ter uma parceria “sem limites” em 2022, pouco antes da invasão da Ucrânia, devem “continuar a se apoiar firmemente em questões que envolvem nossos principais interesses compartilhados” e impulsionar a cooperação em organismos multilaterais, como as Nações Unidas e o G20, disse Xi.
No ano passado, o comércio entre China e Rússia atingiu um recorde de US$ 190 bilhões, com uma meta de US$ 200 bilhões a ser alcançada em 2023, enquanto a Rússia canaliza remessas de petróleo e gás para o aliado asiático.
Entre os acordos assinados nesta quarta-feira estão tratados sobre propriedade intelectual e facilitação do comércio de produtos agrícolas, enquanto a expansão da cooperação na produção de aeronaves e navios e pesquisa espacial conjunta também foi discutida.
Mishustin, o membro do governo russo de mais alto escalão a visitar a China desde a invasão, disse ao primeiro-ministro Li Qiang que 70% dos negócios entre os países estavam sendo feitos nas moedas locais, o rublo e o yuan.
As relações bilaterais estão em um “alto nível sem precedentes” devido ao “respeito mútuo pelos interesses de cada um”, disse Mishustin, segundo a agência de notícias estatal russa “Tass”.
“[Também foi devido à nossa] prontidão para responder conjuntamente às ameaças emergentes relacionadas à crescente turbulência internacional e à pressão de sanções ilegítimas exercidas pelo Ocidente”, acrescentou.
Desde abril do ano passado, Mishustin está na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos de pessoas e entidades russas envolvidas na guerra, que os isola do sistema financeiro internacional e congela todos os ativos que detêm nos EUA.
Entre os executivos que viajaram com a delegação do primeiro-ministro está o oligarca Herman Gref, CEO do Sberbank da Rússia, o maior credor estatal do país.
A visita do premiê foi anunciada na sexta-feira, quando os líderes das nações do G7 se reuniram em Hiroshima, no Japão. Durante a cúpula, o grupo concordou em impor penalidades financeiras adicionais ao Kremlin.
Fonte: Valor Econômico
