A vitória de Lai Ching-te nas eleições de sábado em Taiwan foi uma poderosa rejeição à intimidação da China ao seu vizinho democrático.
O histórico terceiro mandato presidencial consecutivo da legenda de Ching-te – Partido Democrático Progressista (PDP), contrário à reunificação com os vizinhos chineses – é uma afirmação da soberania de Taiwan e uma rejeição da abordagem linha-dura de Pequim, que continuou a fazer ameaças após se conhecer o resultado as urnas.
A vitória também tem relação com a atual presidente, Tsai Ing-Wen, primeira mulher a presidir o país (eleita em 2016 e reeleita em 2020). Ela reforçou o apoio internacional à ilha, resistiu à pandemia com boas medidas e iniciou reformas como a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
O vitorioso Lai terá dois grandes desafios. Seu partido perdeu a maioria no Legislativo e precisará de negociar internamente com eventuais aliados para governar. Além disso, os Estados Unidos, principal apoiador internacional de Taiwan, estão distraídos com os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia. O país terá a sua própria eleição presidencial neste ano.
O verdadeiro teste virá agora. “A próxima semana será crucial, veremos se a China vai atacar”, afirmou o cientista político Lev Nachman, da Universidade Nacional Chengchi de Taipei. “Se Taiwan será alvo de exercícios militares ruidosos da China, semelhantes à maneira como eles reagiram à visita de Nancy Pelosi [ex-presidente da Câmara dos EUA] em 2022, ou se haverá um conjunto mais discreto de ameaças militares combinadas com uma retórica furiosa”, ressaltou Nachman.
O chefe da diplomacia da China, Wang Yi, foi virulento ao comentar ontem o status de Taiwan durante uma entrevista no Cairo, onde estava para um encontro bilateral com seu equivalente egípcio. “Taiwan nunca foi um país. Não foi no passado e certamente não será no futuro”, afirmou.
Yi ressaltou que qualquer iniciativa a favor da independência de Taiwan será “duramente punida tanto pela história como pela lei”.
A posição oficial chinesa considera Taiwan uma província rebelde que faz parte de seu território. O tom da mídia na China, nesse fim de semana, indicava um aumento da pressão de Pequim, que deve dar uma resposta à eleição de Lai Ching-te.
A chegada ontem a Taiwan de uma delegação não-oficial americana – formada por ex-funcionários do Departamento de Estado dos EUA – para reuniões com o presidente eleito nesta segunda-feira (15) deve acirrar ainda mais as tensões entre os vizinhos.
Fonte: Valor Econômico