Com um posicionamento distinto de grande parte do mercado, o economista-chefe da Apollo, Torsten Slok, saiu em defesa do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), mesmo que ele tenha mostrado algumas poucas ressalvas. “Warsh tem sido criticado injustamente. A decisão de eliminar o “forward guidance” não é imprudente, é pragmática”, disse.
Slok argumenta que a eliminação do forward guidance “interrompe a inércia da política monetária e restaura sinais reais de mercado”. A fala vai em uma linha similar às declarações de Warsh na última decisão do Fed, quando afirmou que gostaria de ter mais interpretações dos agentes financeiros sobre os dados econômicos e não sobre como eles esperariam que o banco central reagisse a eles.
“Compromissos explícitos sobre as taxas de juros prendem o Fed a trajetórias predeterminadas. Isso dificulta uma mudança de rumo quando as condições se alteram”, observou o economista. Slok ainda defendeu que a eliminação do forward guidance põe fim à “falsa sensação de certeza”, que distorce a precificação de ativos e incentiva a tomada excessiva de riscos.
A reação do mercado às falas de Warsh foram adversas. A curva de juros americana exibiu uma forte inclinação no decorrer da última semana, refletindo os questionamentos quanto à credibilidade do novo presidente, um avanço na inflação implícita (que se manifestou nos juros ultralongos) e a falta de clareza nas explicações.
Outra narrativa que circulou entre os agentes financeiros no período é a de que a retirada do forward guidance traz volatilidade aos mercados, mas é a falta de clareza sobre como o Fed atuar que, na verdade, teria sido o ponto mais incômodo na atuação de Warsh.
Essa percepção também vai de acordo com as ressalvas de Slok. “Warsh poderia atenuar essa volatilidade recém-introduzida ao fornecer diretrizes mais claras sobre a estrutura de atuação. Sem isso, os mercados têm dificuldade em compreender como o Fed alcançará a meta de inflação de 2%. Seria por meio de taxas mais altas, uma redução do balanço patrimonial ou condições financeiras mais restritivas? Essa incerteza tornou a curva de juros mais inclinada e elevou os prêmios de risco.”
O economista-chefe da Apollo também reconhece os custos de eliminar o forward guidance. Ao dar maior flexibilidade de atuação ao Fed, retirar as orientações sobre o rumo dos juros traz uma volatilidade maior aos mercados, que pode ser reduzida com o fornecimento de diretrizes mais claras sobre a estrutura de atuação.
Fonte: Valor Econômico
