Por Stella Fontes — De São Paulo
28/02/2024 05h02 Atualizado há 5 horas
Classificado como ouro branco em tempos de transição energética, o lítio foi do céu ao inferno nos últimos dois anos e deve seguir mostrando volatilidade ao longo de 2024. No médio e longo prazo, contudo, a expectativa é de valorização e demanda estruturalmente crescente.
De acordo com relatório estatístico trimestral do Departamento de Indústria, Inovação e Ciência da Austrália, maior produtor de lítio do mundo, incentivos governamentais à descarbonização da economia e à eletrificação impulsionaram a demanda e os preços do metal, fundamental para a fabricação das baterias usadas em veículos elétricos.
Após alcançar valores históricos em 2022, sustentados pela percepção de oferta escassa ante a demanda projetada, os preços do metal cederam mais de 80%, com o início de operação de novos projetos, incluindo Grota do Cirilo, da Sigma Lithium, no Brasil, e a desaceleração da produção de veículos elétricos, sobretudo na China.
Ontem, o carbonato de lítio grau bateria, com 99,5% de pureza, era negociado a US$ 13,5 mil a tonelada, segundo o Shanghai Metals Market, serviço chinês de inteligência de mercado, distante dos mais de US$ 80 mil por tonelada vistos no auge.
A expectativa, de acordo com o documento do governo australiano, é que o consumo global de carbonato de lítio equivalente (LCE, na sigla em inglês) salte de 797 mil toneladas em 2022 para 1,43 milhão de toneladas em 2025. Mas a extração de lítio também vai crescer de forma significativa, de pouco menos de 800 mil toneladas de LCE em 2022 para mais de 1,6 milhão de toneladas em 2025.
Diante disso, o preço à vista do espodumênio (mineral de lítio), que estava em US$ 3.840 por tonelada na média de 2023, deve recuar a US$ 2.200 por tonelada em 2025, aponta o relatório, citando dados do ano passado da Bloomberg. Com o excesso de oferta, não se espera que os preços retomem os níveis de 2022 antes do fim do próximo ano. Contudo, a desvalorização recente já levou produtores de alto custo a reduzir produção.
Apostando em custo de produção competitivo e no diferencial tecnológico “verde” para obtenção do lítio pré-químico, a Sigma está avançando nos planos de dobrar a produção no Vale do Jequitinhonha (MG), mediante investimento estimado em US$ 100 milhões (cerca de R$ 490 milhões).
Há pouco mais de duas semanas, a companhia recebeu uma carta de intenções do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), garantindo acesso a recursos para o projeto de expansão.
A Sigma já tem a licença ambiental completa para expansão de sua capacidade de beneficiamento e processamento industrial de minerais de lítio para um total de até 3,7 milhões de toneladas por ano, do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam).
Em nota, a CEO e copresidente do conselho de administração da companhia, Ana Cabral, afirmou que a estrutura de capital adequada, com o financiamento do banco de fomento, garantia à Sigma a oportunidade de seguir crescendo apesar da perspectivas piores para a demanda de lítio.
“A Sigma Lithium tem uma oportunidade única de solidificar sua liderança competitiva industrial global na produção de concentrado de lítio pré-químico sustentável e de baixo custo”, afirmou Cabral.
Com a segunda planta industrial, a Sigma deve elevar a capacidade de produção de lítio “verde” em aproximadamente 240 mil toneladas, para 510 mil toneladas ao ano. A construção da segunda planta deve começar ainda neste trimestre, após o término da estação das chuvas e ainda depende do aval final do conselho de administração.
Fonte: Valor Econômico
