Três dias após a confirmação da morte do ativista Alexey Navalny, sua mulher, a economista Yulia Navalnaya, prometeu ontem continuar com a luta do principal opositor de Vladimir Putin na Rússia. A economista de 47 anos, que inicialmente não pensava em atuar na política, está convencida de que o marido foi assassinado.
Em um vídeo nas redes sociais, Navalnaya prometeu “dar continuidade ao trabalho de Alexei Navalny” e disse que busca viver em uma “Rússia livre”. “Convoco vocês a ficarem ao meu lado. A compartilharem não apenas o luto e a dor interminável. Peço que compartilhem comigo a raiva. A fúria, a indignação, o ódio por aqueles que ousam matar o nosso futuro”, afirmou Navalnaya no vídeo.
O casal se conheceu em 1998, durante férias na Turquia. Em comum tinham a visão política e a filiação ao partido liberal Yabloko. Mas, diferente do marido, que se lançava na política, Navalnaya ressaltava que queria viver discretamente para cuidar dos dois filhos do casal. Quando o marido estava preso, sentenciado a 19 anos por “conspiração”, Navalnaya disse em entrevista no ano passado para a revista alemã “Der Spiegel” que não achava que devia “brincar” com a ideia de entrar na política.
“Sei que parece impossível, mas precisamos nos unir e combater este regime enlouquecido, Putin, seus amigos e seus bandidos fardados, esses ladrões e assassinos que têm prejudicado nosso país”, disse Navalnaya no vídeo. Em 2020, quando Navalny foi envenenado na Rússia por agente químico usado nos tempos de União Soviética, Navalnaya passou a denunciar as condições de detenção do marido.
Após o envenenamento, Navalny foi levado para Omsk, na Sibéria, onde sua mulher passou a acusar os médicos locais de negligência, dizendo que eles atrasavam o tratamento para tentar matá-lo.
O Kremlin nega envolvimento na morte do opositor, na sexta-feira, mas Navalnaya e seus aliados dizem que ainda não tiveram acesso ao corpo — e denunciam que o cadáver seguia desaparecido ontem, supostamente para esconder a causa da morte, oficialmente descrita como “natural”. A mãe do opositor teve a entrada no necrotério barrada pelas autoridades. Navalny tinha 47 anos.
Os EUA e países europeus disseram ontem que estudam reforçar as sanções já impostas à Rússia pela invasão da Ucrânia há dois anos.
Antes do vídeo publicado ontem, a última mensagem pública de Navalnya tinha sido no dia 14 de fevereiro, no Valentine’s Day, o dia dos namorados. Ela publicou uma foto de Navalny beijando sua cabeça com a legenda “eu te amo”. (Com agências internacionais)
Fonte: Valor Econômico
